O torcedor do Esporte Clube Bahia teve um ano de 2023 sofrido, com eliminação precoce na Copa do Nordeste, e o quase rebaixamento no Campeonato Brasileiro no chamado “Ano Zero” do City Fotball Group gerindo o clube. O investimento foi alto, mas com muitas contratações equivocadas e a insistência com o técnico Renato Paiva, que só não permaneceu até dezembro porque pediu para sair, afinal, se fosse o desejo da diretoria, ele cumpriria seu contrato até o fim, mesmo com a possibilidade de queda.
O alívio em 2023 só veio na última rodada, contando com a ajuda do Fortaleza, que venceu e rebaixou o Santos. Já em 2024, o Bahia manteve boa parte do elenco, mas trouxe reforços importantes e caros, como Jean Lucas, Caio Alexandre e Everton Ribeiro, montando um meio de campo que foi bastante elogiado pela imprensa nacional. Mesmo com esse meio-campo “badalado”, o Esquadrão perdeu o título baiano, sofrendo uma virada inacreditável (3×2) do Vitória no jogo de ida, e também caiu na semifinal da Copa do Nordeste para o CRB, que quase foi rebaixado na Série B.
Com os tropeços no primeiro trimestre, o Bahia começou o Brasileirão sob desconfiança da torcida, mas conquistou resultados importantes nas primeiras rodadas, chegando a ser vice-líder da 5ª até a 8ª rodada e passar quase todo o primeiro turno no G-4, mostrando que as pretensões seriam bem diferentes do ano passado, e dando indícios de que poderia fazer uma campanha histórica.
No entanto, na reta final do primeiro turno, o Bahia voltou a ser aquele time do primeiro trimestre, que passava raiva ao torcedor. Nas rodadas 17 e 18, perdeu na Fonte Nova para Cuiabá e Corinthians, candidatos ao rebaixamento naquele momento, e fechou o primeiro turno empatando no sufoco com o lanterna Atlético-GO, igualando a campanha do primeiro turno de 2019.
O Esquadrão até iniciou bem o returno, vencendo Vitória e Grêmio, dando um alento ao torcedor de que o time voltaria a ser aquele das primeiras rodadas. Engano. A oscilação persistiu, com derrotas vexatórias, como o 4 a 1 para o Fortaleza, as quatro derrotas para o Flamengo, duas pela Copa do Brasil.
Com tropeço atrás de tropeço, Rogério Ceni insistindo com uma formação que se tornou previsível para os adversários, bancando jogadores no time titular mesmo em má fase, o Bahia foi descendo a ladeira, deixou o G-4, deixou o G-6 e recentemente deixou o G-7, agora correndo o risco até mesmo de não terminar em um possível G-8 (que pode acontecer em caso de título do Botafogo na Copa Libertadores).
Nos últimos 7 jogos (21 pontos possíveis), o Bahia somou apenas 2 (dois empates e cinco derrotas), uma campanha de rebaixado. A última vitória foi há dois meses, naquele 1 a 0 contra o Criciúma. Nos últimos 14 jogos, foram apenas 2 triunfos, contando Brasileirão e Copa do Brasil. No returno da Série A, são apenas 4 triunfos em 16 partidas, um aproveitamento de 33%, sendo o 13º colocado.
Com esses números e essa “inhaca” do time de Rogério Ceni, é muito difícil o torcedor acreditar que o Bahia ainda terá forças para galgar a tão sonhada vaga na Libertadores, mesmo enfrentando dois rebaixados nos últimos três jogos (Cuiabá e Atlético-GO). A verdade é que o sonho da vaga na Libertadores vem se tornando um pesadelo para a nação tricolor.

