O Bahia maltrata o seu torcedor sem dó nem piedade!

O Bahia maltrata o seu torcedor sem dó nem piedade!

O torcedor ainda tem que suportar Ferran Soriano comparar Rogério Ceni com o espanhol Pep Guardiola.

O Bahia maltrata o seu torcedor sem dó nem piedade!
Foto: Felipe Oliveira/EC Bahia

Ainda ontem conversando com um amigo tricolor, depois da surra de 3 a 0 na Néo Química Arena, senti no olhar dele a aflição e desânimo com o atual momento do Esporte Clube Bahia. Um time desorientado, inoperante, inofensivo, um verdadeiro arame liso. Um time que maltrata o seu torcedor sem dó nem piedade. Jogadores displicentes e com desculpas decoradas, e um treinador completamente perdido no que faz. O lance onde Biel deixa de tentar atacar para pedir pênalti ao árbitro é um retrato desse time.

Acredito que nem o mais pessimista dos tricolores imaginaria que um time que custou 150 milhões de reais passaria tanto perrengue na temporada e daria tanto desgosto ao seu torcedor. Perda do título baiano, eliminação na semifinal da Copa do Nordeste, e na Série A um segundo turno com aproveitamento de rebaixado.

O torcedor ainda tem que suportar o CEO Ferran Soriano comparar Rogério Ceni com o espanhol Pep Guardiola, e bancar a permanência dele para 2025 sem ao menos aguardar o ano acabar para fazer uma análise mais aprofundada do trabalho. O curioso é que depois dessa fala, o Manchester City não ganhou de mais ninguém, amarga sete jogos sem jejum. Agora deu para entender a comparação.

É claro que Rogério Ceni não é o único culpado, talvez nem seja o principal, mas tem uma parcela de culpa enorme, principalmente pela insistência com jogadores que não vinham rendendo. Deixou Lucho Rodríguez no banco boa parte do campeonato para bancar Thaciano, Cauly e Everaldo no ataque. Muitas improvisações, time sem variações táticas, a insistência com um plano de jogo manjado e previsível.

O campeonato se ofereceu para o Bahia a todo instante, e já poderia estar com a classificação garantida para a Copa Libertadores há algumas rodadas, sem dores de cabeça ou sobressaltos, mas faltou competência ao time, ao treinador, ao diretor de futebol e a todos que participaram do planejamento.

O torcedor fez sua parte, 4ª melhor média de público do Brasil, e recebeu em troca apenas sofrimento e frustração. Obviamente que ela estará presente no próximo domingo, no jogo contra o lanterna Atlético-GO, não por acreditar nesse time mequetrefe, mas por amor ao Bahia, afinal, o clube – ainda que tenha se tornado uma empresa – continua existindo por conta da sua torcida.

O Bahia ainda tem boa chance de conquistar a tão sonhada vaga na Copa Libertadores, mais por demérito dos concorrentes, do que por mérito próprio ou merecimento. Diria que seria uma classificação culposa, quando não há a intenção, mas que pelo menos ameniza a temporada sofrida.

Isso mesmo, ameniza. Não será motivo para soltar fogos ou fazer carreata por terminar na modesta 8ª colocação, posição que times com investimentos bem menores conseguiram alcançar em anos anteriores, até sem muito esforço. Mas sim, uma classificação para a Libertadores depois de 35 anos, seria algo histórico, e o torcedor tricolor, que tanto sofreu esse ano, merece isso.

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Fellipe Amaral

Administrador e colunista do site Futebol Baiano. Contato: futebolbahiano2007@gmail.com



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