O jogo entre Bahia e Sport, na noite da última quarta-feira, que terminou com triunfo tricolor por 2 a 0, marcou a despedida do goleiro Danilo Fernandes na Arena Fonte Nova. O arqueiro, de 37 anos, vai pendurar as luvas ao final da temporada. Após as homenagens em campo, ele concedeu entrevista e falou sobre a carreira.
“Praticamente 30 anos vivendo do futebol, é difícil sair desse mundo. Vou curtir mais alguns dias, até 31 de dezembro sou jogador profissional. Temos conversas em andamento para o futuro, eu gostaria de devolver para o futebol tudo que ele me proporcionou, gostaria de estar próximo ao futebol, sim”, disse Danilo Fernandes.
Dentro de campo, o goleiro fez 64 jogos pelo Bahia, conquistou dois Campeonatos Baianos (2023 e 2025) e uma Copa do Nordeste (2025). Ele não esconde a paixão que tem pelo clube.
“O Bahia entrou em minha vida e hoje eu sou mais um louco apaixonado pelo clube. É o último clube que eu jogo profissionalmente. Foram quatro anos e meio com essa camisa, anos que aconteceram muitas coisas. Momentos bons e não tão bons. É difícil explicar o sentimento de entender o que é ser o Bahia. Me adaptei muito bem ao clube, fui acolhido. Hoje eu não me via vestindo outra camisa. Fui muito realizado, muito feliz aqui como jogador. Tenho que agradecer aos funcionários, me deram muitas forças nos momentos ruins que eu tive. Sem eles, essa história não teria sido tão bonita”.
No início de 2022, Danilo Fernandes foi atingido por uma bomba em atentado sofrido por ônibus que levava o elenco a um jogo da Copa do Nordeste, e quase perdeu a visão. O jogador relembrou o caso, mas afirmou que não se arrepende de ter continuado no clube.
“Acredito que valeu muito a pena [ter continuado depois do atentado]. Hoje você tem o estádio todo gritando seu nome, vê esse reconhecimento. Então esse carinho que eles têm por mim, isso é o que me faz olhar para trás e dizer que valeu a pena ter ficado aqui depois daquele fatídico episódio. A gente sabe que o torcedor que ama o clube, que sabe torcer, sempre esteve ao meu lado. O amor pelo clube, o carinho de vestir essa camisa fez valer muito a pena eu ter continuado”.
“Graças a Deus não [tive sequelas]. Eu tive muito medo do que aconteceu, minha esposa me acompanhou no hospital. Tive muito medo do que poderia ter acontecido com meu olho. Mas acredito que ficar cedo teria sido o menor dos meus problemas, eu tive também um corte no pescoço, poderia ser muito pior. Mas passou e não tive sequelas nenhuma. Estou 100%. Passou, seguiu a vida”, complementou.
“Olhar para trás e agradecer por tudo. Eu vejo o quanto meus pais lutaram por isso, o quanto me acompanharam no início da carreira. Tenho gratidão eterna por isso. Hoje está sendo reconhecido tudo o que foi feito lá atrás. Não foi fácil. Hoje a gente vê as glórias e coisas boas, mas durante a caminhada são muitas pedras. Hoje só quero agradecer por tudo que eu vivi. Agora é uma nova etapa da vida, tenho certeza que seremos ainda mais felizes agora”.

