A temporada de 2025 para o Esporte Clube Bahia foi melhor do que a anterior, sem sombras de dúvidas, mas terminou com um gostinho de “podia mais”. Em 2024, o time não conquistou nenhum título, perdeu o Campeonato Baiano para o maior rival, caiu na semifinal da Copa do Nordeste para o CRB nos pênaltis, mas conseguiu a classificação para a Libertadores depois de 35 anos, com grau elevado de tensão na reta final.
Já em 2025, o Bahia conquistou títulos, quebrou tabus importantes, e se classificou para a Copa Libertadores pelo segundo ano seguido. No entanto, o ano poderia ter terminado de uma forma espetacular, se não fossem as oscilações em momento decisivos dos campeonatos mais relevantes.
O Bahia foi ao mercado para qualificar o elenco comandado por Rogério Ceni, e trouxe o zagueiro Ramos Mingo, os meio-campistas Erick, Rodrigo Nestor e Michel Araújo, além dos atacantes Erick Pulga, Kayky e Willian José. No Campeonato Baiano e Copa do Nordeste, que não eram prioridades, o Esquadrão jogou com times mesclados, priorizando a fase preliminar da Libertadores. Apenas na final do Estadual, contra o maior rival, o time tricolor foi com força máxima.
No dia 18 de fevereiro, em La Paz, na Bolívia, o Bahia arrancou um empate em 1 a 1 com o The Strongest na temida altitude de 3.637 metros. Na Fonte Nova, venceu por 3 a 0 e avançou à terceira fase preliminar para pegar o modesto Boston River, do Uruguai. Na ida, um jogo entediante e um empate por 0 a 0. Na volta, triunfo por 1 a 0 na Fonte Nova e classificação para a fase de grupos da Libertadores.
Com a classificação na Libertadores, o Bahia pôde focar nos jogos decisivos da Copa do Nordeste e do Campeonato Baiano. Apesar da pouca relevância do Estadual, o Bahia chegou na final pressionado, já que em 2024, perdeu o título para o Vitória. No jogo de ida, na Arena Fonte Nova, uma atuação convincente e um triunfo por 2 a 0 que ficou barato diante das chances perdidas, inclusive pênalti de Lucho Rodríguez. Na volta, no Barradão, uma atuação tenebrosa, sendo dominado pelo Vitória, mas conseguindo um empate em 1 a 1, que garantiu a conquista do 51º título estadual, aumentando a hegemonia.
Na Copa do Nordeste, o Bahia passou pela dupla cearense Fortaleza e Ceará, em jogos acirrados, nas quartas de final e semifinal. Na final, enfrentou o Confiança, que era um grande azarão, após passar por Vitória e CSA. O Esquadrão nem precisou utilizar força máxima nas finais para golear nos dois jogos (4 x 1 fora e 5 x 0 na Fonte Nova), conquistando o pentacampeonato da Copa do Nordeste e se isolando como maior campeão do torneio.
Em meio a maratona de jogos decisivos, o Bahia também tinha que focar na fase de grupos da Libertadores, nos mata-matas da Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro, e foram nessas três competições que ficou o gostinho amargo de “podia mais”. O início do Brasileirão e a fase de grupos da Libertadores aconteceram quase de forma simultânea.
Na Série A, o Bahia não começou bem e só venceu o primeiro jogo na 5ª rodada, ao derrotar o Ceará por 1 a 0 com gol de pênalti no apagar das luzes. Após vencer o Vozão, o Esquadrão engatou sua melhor sequência, vencendo também Atlético Nacional, da Colômbia, Palmeiras, Paysandu e Botafogo, por três competições diferentes: Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil. Uma curiosidade: todos os triunfos por 1 a 0.
Depois da sequência invicta, o Bahia liderava o “Grupo da Morte” na Libertadores e alcançou o G-6 na Série A. Porém, a boa fase chegou ao fim após uma derrota decepcionante para o Nacional, do Uruguai, por 3 a 1 de virada, em plena Arena Fonte Nova, em um jogo que poderia encaminhar a classificação do Esquadrão às oitavas de final da Libertadores. O Tricolor emendou três derrotas seguidas e deixou de depender apenas de si no seu grupo.
O fim da sequência de tropeços veio no Ba-Vi, pela Série A, vencendo o Vitória por 2 a 1, mesmo tendo Jean Lucas expulso no início do clássico. Em seguida, o Bahia garantiu vaga na quarta fase da Copa do Brasil ao golear o Paysandu. Parecia que o Esquadrão tinha voltado aos trilhos, mas aí veio a derrota para o Internacional, que decretou a eliminação na Libertadores. Uma frustração enorme para o Tricolor, que somou 7 pontos nos três primeiros jogos e tinha a vaga nas mãos, mas perdeu os últimos três.
A queda na Libertadores garantiu o Bahia a vaga para a Sul-Americana, mas acabou eliminado nos playoffs pelo América de Cali, sendo derrotado nos dois jogos, com um certo desinteresse do clube, que poupou no jogo de ida, pensando na decisões da Copa do Nordeste. Tivemos a pausa para a Copa do Mundo de Clubes, e na volta, aconteceram outras decepções.
Assim como em 2024, o Bahia teve uma queda de rendimento no segundo turno da Série A, principalmente nos jogos fora de casa, sofreu com lesões de titulares em jogos importantes. Na Copa do Brasil, chegou nas quartas de final com o sonho de uma semifinal inédita, mas foi eliminado pelo Fluminense (vencendo por 1 a 0 na Fonte Nova e tomando 2 a 0 no Maracanã).
Restou, então, apenas o Campeonato Brasileiro, onde a prioridade era garantir uma classificação para a Copa Libertadores de forma direta. No entanto, depois de passar várias rodadas dentro do G-4, o Bahia não se sustentou, muito por conta do péssimo aproveitamento com visitante. Na última rodada, dependia apenas de si para ficar com a vaga direta à fase de grupos, mas perdeu para o Fluminense por 2 a 0 no Maracanã, e terminou no 7º lugar, novamente precisando passar pela preliminar, com dois mata-matas.
Foi justamente no segundo turno que o Bahia teve sua pior sequência, com quatro jogos sem vencer. Foi derrotado no clássico Ba-Vi, por 2 a 1, no Barradão, aumentando a insatisfação do torcedor. Teve sua pior derrota, que foi o 5 a 1 contra o Mirassol. Nem mesmo contra equipes da parte de baixo, o Tricolor conseguiu vencer como visitante. Portanto, apesar do ano com títulos, faltou mais ambição nos torneios relevantes.
Por outro lado, o ano do Bahia também foi de tabus quebrados. O técnico Rogério Ceni finalmente conseguiu vencer São Paulo e Flamengo como treinador pela primeira vez na história. Além disso, o Esquadrão conseguiu vencer pela primeira vez o Red Bull Bragantino, em Bragança Paulista, e o Palmeiras, no Allianz Parque.

