Fala, Nação Tricolor! Que Bahia é esse? Que espetáculo foi assistir a esse jogo. E olha que cheguei atrasado, na hora em que o juiz apitou, e perdi o show de luzes da Fonte. Mas hoje vamos falar de música. Porque não foi uma partida de futebol, com goleada de 5×2 sobre o vice colocado do Campeonato Baiano. Foi um concerto musical.
O Bahia não é só um time de futebol: é uma orquestra sinfônica em cima de um trio elétrico. Talento, inspiração, transpiração, entrosamento, boa condução e emoção.
A maestria de Everton Ribeiro
E, desafiando a matemática fria dos números, vamos começar pelo 10. Que noite de Everton Ribeiro! Um maestro desfilando em campo, de fraque, regendo o time com calma e precisão. Ele enxerga o jogo como se fosse uma pauta musical. Toque refinado, inteligência. Ele melhora quem joga ao lado dele, como se dissesse: “o tom é esse, jovens”. E a ordem é entendida por todo mundo.
A base que sustenta a harmonia
Toda boa orquestra precisa de instrumentos de sustentação. E Ronaldo é o contrabaixo da orquestra: ninguém aplaude quando acerta, mas uma nota errada e o concerto quase vira vaia.
Nas laterais, Gilberto e Juba soam como trompetes, capazes de atacar com velocidade e também de recuar pra proteger a harmonia.
No centro da zaga, David Duarte e Mingo são os violoncelos. Firmes, atentos, essenciais para que o ritmo da orquestra flua sem medo. A segurança que dá à linha de frente, a sustentação necessária.
Ritmo no meio-campo
Mas uma sinfonia não é só melodia: tem de ter ritmo e pulso. E aqui entram nossos dois volantes: Caio Alexandre, o coração que mantém o compasso, dando vida, energia e marcação forte; e Jean Lucas, o pulmão que empurra a orquestra inteira, garantindo que ninguém perca o fôlego até o último minuto.
E na frente o bicho pega!
Nossos solistas rápidos, pelas pontas, seriam Pulga e Ademir. Como violinos velozes, capazes de arrancadas absurdas, improvisos e melodias inesperadas, deixando os marcadores da Onça desorientados o jogo todo. Aceleraram a partitura, criaram tensão e abriram os caminhos para o grand finale.
No papel de tuba, ocupando o centro do palco (e ainda pesado), Willian José. Que, mesmo destoando do resto da orquestra, sem ritmo e errando as notas no início, teve sua hora redentora nas redes do Barça.
Vorwärts, Bahia, scheißegal!
Foi como a Filarmônica de Berlim executando Eine kleine Nachtmusik, de Mozart: precisão absoluta, leveza no tempo certo e uma beleza que parece simples, mas é coisa de quem domina a arte.
Que o nosso Diretor Técnico, Ceni, consiga manter a Sinfonia Tricolor sempre afinada, do primeiro ao último acorde. Do início ao fim do ano. Em todos os palcos do Brasil e da América. Porque a avant-première foi digna de aplausos de pé. Bravíssimo!

