O Esporte Clube Bahia ficou apenas no empate em 1 a 1 com o Grêmio, neste domingo, em meio a protestos na Arena Fonte Nova, em duelo válido pela 16ª rodada do Brasileiro. Viery abriu o placar para o time gaúcho, mas o Tricolor igualou com Sanabria. Em entrevista após o jogo, o técnico Rogério Ceni comentou sobre os protestos da torcida e os pedidos de demissão.
“Vejo como uma democracia as pessoas expressarem as suas opiniões. Entendo a tristeza do torcedor. A gente também carrega. Hoje, com tantas oportunidades, a bola não entra. Momento difícil, de baixa. Hoje a gente fez muito bom jogo, melhor que na Copa do Brasil, mas não conseguiu vencer. Isso é frustrante. A gente tenta jogar de acordo com o que o jogo pedia. Eu lamento porque trabalho muito todos os dias, me dedico muito. Uma torcida que vem, comparece, está sempre presente. A gente não pode tirar o mérito, entendo a frustração. Essa eliminação para o Remo pesou bastante. É um momento difícil que a gente tem que tentar se manter firme. O Brasileiro está muito equilibrado. Gostaria que o torcedor apoiasse. Em matéria do que criamos, nós merecíamos sair com a vitória hoje. O torcedor está chateado, e eu entendo. Gostaria que eles gostassem do trabalho. Os jogadores sentem, é claro. Entendo o lado do torcedor e o dos jogadores. É um momento de baixa que a gente tem que transformar essas chances de gols em gols”.
Perguntado se pediria para deixar o clube diante da pressão da torcida, Ceni descartou abandonar o trabalho. “Você abandonaria sua profissão se alguém te ofendesse? Fechar o canal por alguém te ofender. Se você fosse ofendido, você largaria? Claro, se você ama o seu trabalho. A vida consiste muito no que você é apaixonado. Eu sei que eu tenho capacidade, que os atletas acreditam em mim”, diz Rogério Ceni.
“Eu vou em pouquíssimos lugares. Trabalho 12h por dia e fico muito em casa. A minha vida é trabalhar. Isso é o que eu penso da vida. Claro que eu sustento família, todos. E o mais importante é que eu gosto do que eu faço. Com todo respeito, eu quero poder trabalhar e desenvolver o que eu gosto. Gostaria que o torcedor voltasse, apoiasse. A cada vez que eles me ofenderem, mas eu não vou pegar na bola. Não é agradável. Eu sei como é. É sempre mais difícil trabalhar com vaia. Gostaria que o torcedor estivesse com a gente para a gente repetir o sonho que tivemos. A gente tem que tentar provar valor, trabalho. Não levo para o pessoal. A vida do treinador é essa. Entendo tudo isso porque o torcedor vem para extravasar. E ele quer o seu time vencer. Não acho justo uma pessoa abandonar o que ama por uma ofensa. Isso é para gente fraca, que desiste fácil”, finalizou o treinador.

