Fábio Mota prega cautela com SAF no Vitória e cita modelo do Bahia

Fábio Mota prega cautela com SAF no Vitória e cita modelo do Bahia

Mota também citou a SAF do rival Bahia como referência em alguns aspectos.

Fábio Mota prega cautela com SAF no Vitória e cita modelo do Bahia
Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

O presidente do Vitória, Fábio Mota, voltou a abordar o futuro do clube em relação à transformação em Sociedade Anônima do Futebol (SAF). Em entrevista para o canal Sem Cortes Podcast, o dirigente afirmou que não é contrário ao modelo, mas defendeu cautela na escolha de um eventual investidor, destacando a necessidade de preservar o patrimônio e a estrutura construída nos últimos anos.

Durante a entrevista, Mota também citou a SAF do rival Bahia como referência, mas que aperfeiçoaria algumas coisas, fez ponderações sobre o cenário das SAFs no futebol brasileiro e afirmou que, diante das mudanças na legislação tributária previstas para os próximos anos, acredita que o Vitória inevitavelmente terá que adotar o modelo societário.

“Não sou contra SAF. A gente não pode pegar esse trabalho que foi feito no Vitória e entregar o primeiro grupo aventureiro. A gente tem vários exemplos aqui, de o cara acabar isso aqui em 100 meses, que para construir é difícil. Com três meses, os cidadãos destroem tudo que a gente fez aqui em quatro anos. Pode ficar três meses sem pagar. O Vitória precisa hoje de 27 a 29 milhões por mês para rodar. Tem que ter alguém sentado nessa cadeira para trazer 29 milhões todo mês. E se você entregar isso a qualquer grupo, um aventureiro, o cara vai destruir”, iniciou.

“O Vitória tem hoje um patrimônio, que é um dos maiores do Brasil. Não vou polemizar para falar valor, mas se você pegar o valor só do metro quadrado e você multiplicar 525 mil metros quadrados, você vai ver o tamanho que dá e só do valor do patrimônio. Então, você não vai encontrar alguém para comprar o patrimônio do Vitoria para fazer a SAF”.

“O Vitoria contratou o melhor escritório da advocacia, que inclusive fez a SAF do Bahia, que está fazendo a do Vasco, de novo, pela segunda vez. Fez a do Bragantino, fez a do Cruzeiro, que é o escritório de André Sica. Nós estamos há dois anos com o contrato de André Sica. Eu, pessoalmente, fui à Europa, visitei os investidores, agora fui aos Estados Unidos. Não existe hoje um grande grupo econômico no mundo que quer investir no Brasil. Depois da SAF do Bahia para cá, me diga quem foi um grupo econômico do mundo que entrou e comprou alguma coisa”.

“SAF do Cruzeiro é familiar, SAF do Atlético-MG é familiar, e a do Fluminense tá caminhando também para ser familiar. O Figueirense já mudou de grupo de SAF três vezes, o Santa Cruz já mudou de grupo de SAF quatro vezes. E vamos pegar um grupo desse aqui e vamos entregar o Vitória, patrimônio desse tamanho, tudo que a gente fez que de ser destruído. O caminho da SAF, por um grupo sério, melhora bastante”.

“Eu aperfeiçoaria algumas coisas que foram feitas pela SAF do Bahia, mas não vou entrar nessa polêmica. As SAFs que começaram aqui só vão ser poder ser analisadas a 20, 30, 40 anos. No início é tudo lindo, são flores, criar expectativa, agora vou ser campeão do mundo, agora vou ganhar Libertadores, vou ser campeão do Brasil. Quando chega o momento, depois começam as frustrações, você vai caindo na real, você perde a identidade do clube, você começa a ver que a torcida não manda em nada. Daqui a pouco o cara quer mudar a camisa. Eu quero dizer pra você que o Vitória está se organizando pra ser uma SAF, e vai ter que ser, de um jeito ou de outro. A partir de 2027, a cara tributária em cima das associações vai fazer com que todos os clubes virem uma SAF. Ou você vira, ou você deixa de existir, porque o tanto que você vai pagar tributo sendo associação, não vai dar pena. O Vitória vai ser SAF, o Sport vai ser SAF, e todos os outros vão ser SAFs”.

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Fellipe Amaral

Administrador e colunista do site Futebol Baiano. Contato: futebolbahiano2007@gmail.com



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