O Flamengo tenta renovar o contrato de Erick Pulgar, mas o volante chileno exige equiparação salarial e ainda não recebeu resposta definitiva do clube. Com multa rescisória de apenas US$ 4 milhões e interessados da Arábia Saudita, França, EUA e Catar, a saída do camisa 5 nunca esteve tão próxima de se concretizar.
A janela de transferências de 2026 ainda nem esquentou de verdade, e o Flamengo já enfrenta um dos dilemas mais delicados da temporada: segurar Erick Pulgar. O volante chileno, está com o futuro em aberto depois que sua multa rescisória caiu para US$ 4 milhões em julho. Um valor irrisório para o mercado atual e que atraiu olhares de diversas partes do mundo.
A trajetória de Pulgar no Flamengo: Quatro anos de entrega e nove títulos
Erick Pulgar chegou ao Flamengo em meados de 2022 sem muito alarde e para quem acompanha as tips futebol do mercado sul-americano, era difícil prever o tamanho do impacto que ele causaria no Maracanã.
A integração foi gradual, o impacto, crescente. O que começou como uma contratação de apoio virou dependência técnica. Hoje, o chileno é o xerife do meio-campo rubro-negro, o jogador que dita o ritmo, protege a defesa e distribui o jogo com autoridade incontestável.
Quando colocamos os números na mesa, a consistência fala por si:
- 2015 (Universidad Católica): 7 gols
- 2018-19 (Bologna): 6 gols
- 2019-20 (Fiorentina): 7 gols
- 2026 (Flamengo): 3 gols (até agosto)
Esses nove títulos incluem:
- Copa Libertadores: 2022 e 2025
- Campeonato Carioca: 2024, 2025 e 2026
- Copa do Brasil: 2022 e 2024
- Campeonato Brasileiro: 2025
- Supercopa do Brasil: 2025
A temporada mais artilheira de Pulgar no Fla 2026
Há algo acontecendo com Erick Pulgar em 2026 que vai além da regularidade defensiva. O volante chileno está se revelando, pela primeira vez no Flamengo, um contribuinte ofensivo de peso.
Três gols até agosto, o número pode parecer modesto para um atacante, mas para um volante de contenção é uma marca expressiva. E mais do que a quantidade, é a qualidade e o timing que impressionam:
- Contra o Botafogo (Carioca, quartas de final): gol decisivo que classificou o Fla direto, sem precisar de pênaltis
- Contra o Vitória (1º turno do Brasileirão): chutaço de fora da área que abriu caminho para a vitória por 2 a 1
- Contra o Vitória (2º turno, no Maracanã): tirambaço ainda de mais longe, que praticamente selou os três pontos
O próprio técnico adversário, Jair Ventura do Vitória, resumiu bem a situação com um misto de admiração e lamento: “Gol do Pulgar, de novo, mais bonito que o outro.”
Para encontrar uma temporada com mais gols na carreira de Pulgar, é preciso voltar para os tempos europeus. Naquela época, o jogador chegou a marcar sete gols pela Fiorentina em 2019 e seis pelo Bologna em 2018-19.
Antes disso, havia marcado sete pela Universidad Católica em 2015. Com mata-mata da Libertadores e quase um turno inteiro de Brasileirão ainda pela frente, o recorde pessoal no Flamengo pode crescer.
A situação contratual: Onde tudo se complica
A última renovação de contrato de Erick Pulgar com o Flamengo aconteceu em março de 2025. Na ocasião, o clube concedeu aumento salarial e estendeu o vínculo até o fim de 2027. Parecia um acordo robusto. Só que uma cláusula, aparentemente técnica, mudou completamente o cenário.
Em julho de 2026, a multa rescisória de Pulgar caiu para US$ 4 milhões (aproximadamente R$ 20,3 milhões na cotação atual). Um valor que qualquer clube de médio porte do mundo árabe, americano ou europeu paga sem piscar.
O Flamengo reconheceu o problema e apresentou uma nova proposta de renovação, desta vez, com contrato até 2028. Pulgar, por sua vez, fez uma contraproposta: quer equiparação salarial com companheiros de elenco do meio-campo que atuam com frequência muito menor do que ele.
Quem quer Pulgar? O mapa dos interessados
O estafe do volante não está parado. Com a renovação em compasso de espera, os representantes do chileno marcaram reunião com clubes árabes ainda esta semana, e o nome do time saudita ainda não foi revelado publicamente, mas o Neom SC figura entre os interessados.
A lista de pretendentes vai além do mundo árabe:
- Arábia Saudita: Oferta concreta, com acordo salarial praticamente acertado segundo informações do mercado
- Monaco: Interesse confirmado após indicação de Filipe Luís, ex-companheiro de Pulgar no Fla e novo técnico do clube do Principado
- Austin FC e FC Cincinnati (MLS): Exploraram a viabilidade da contratação
- Al-Rayyan (Catar): Também monitorando a situação
O caso do Monaco merece um olhar especial. A Europa é esportivamente mais atrativa, Champions League, ritmo de jogo, exposição global. Mas o clube francês enfrenta um obstáculo regulatório: pode ter apenas quatro jogadores extracomunitários no elenco, e a vaga já está praticamente esgotada com Vanderson, Balogun e Minamino. Contratar Pulgar seria atingir o limite. A viabilidade é questionável.
Já a Arábia Saudita tem caminho mais aberto. Os salários são incomparavelmente maiores, a multa de US$ 4 milhões é um detalhe para clubes daquele porte, e um acordo salarial já teria sido costurado.
O fator Gerson: O precedente que assombra o Flamengo
Não é a primeira vez que o Flamengo se vê nessa posição. Em meados de 2025, Gerson saiu para o Zenit, da Rússia, depois que o clube europeu pagou integralmente a multa rescisória de 25 milhões de euros, colocada no contrato justamente na renovação feita pela atual diretoria.
A similaridade com o caso Pulgar é perturbadora:
- Multa rescisória inserida em renovação de contrato
- Clube estrangeiro paga a cláusula sem precisar negociar com o Flamengo
- O Rubro-Negro não tem como barrar a transferência se o jogador topar
Pulgar e Gerson são perfis diferentes. Mas o mecanismo é idêntico. E o Flamengo aprendeu, da pior forma possível, que multas baixas em contratos de peças importantes são uma vulnerabilidade estrutural.
A perspectiva de Pulgar: O último grande contrato da carreira
Aos 32 anos, Erick Pulgar sabe exatamente onde está na carreira. Esta é, provavelmente, a última grande negociação de sua trajetória profissional. Não há segunda chance para maximizar os ganhos em um nível de alta performance.
Ele declara preferência por continuar no Flamengo, o clube, a cidade, o ambiente competitivo, a chance de ganhar mais títulos. Mas a realidade financeira não pode ser ignorada. A questão não é dinheiro por ambição desmedida; é a percepção justa de valor. Se companheiros de elenco que jogam com bem menos frequência ganham mais, a demanda por equiparação é, no mínimo, razoável.
O Flamengo, por sua vez, carrega a tensão entre o reconhecimento esportivo de Pulgar e o desconforto institucional de renegociar com um jogador que acabou de ter o contrato renovado. Internamente, a percepção é que o estafe do volante usa o interesse externo como alavanca de pressão.
Ambos têm razão, em certa medida. E é justamente essa ambiguidade que torna a situação tão complexa.
O que está em jogo para cada lado
Se analisarmos frio o cenário de cada parte envolvida, a urgência de uma resolução fica evidente:
Para Erick Pulgar:
- Maximizar o salário no que deve ser seu último grande contrato
- Manter o legado no clube onde conquistou nove títulos
- Avaliar a proposta saudita, que já tem acordo salarial encaminhado
Para o Flamengo:
- Preservar a estabilidade do meio-campo e a estrutura tática de Jardim
- Evitar mais um caso Gerson, perda de peça importante por multa baixa
- Equilibrar o orçamento sem criar precedentes salariais complicados para o elenco
Para o mercado:
- A janela de transferências define prazos. Se o impasse persistir, outros clubes vão avançar e o Flamengo pode ser notificado da multa sem ter tido chance de reagir
Renovação, saída ou impasse prolongado?
A lógica aponta para uma resolução próxima, pelo bem das duas partes. Pulgar fica se o Flamengo responder à contraproposta com uma oferta salarial justa, próxima da equiparação pedida. Pulgar sai se a Arábia Saudita formalizar o pagamento da multa e o jogador entender que o clube carioca não valorizou sua dedicação.
O que ninguém quer é o cenário intermediário: Pulgar desmotivado, contrato se arrastando até 2027, e o Flamengo perdendo o jogador de graça no fim do vínculo.
A história recente do futebol brasileiro mostra que, quando um clube deixa a situação chegar a esse ponto, geralmente perde. O caso Gerson é a prova mais dolorosa. A diretoria rubro-negra tem todas as informações que precisa para não repetir o mesmo erro. A bola, agora, está do lado do Flamengo.

