BAVI terá torcida mista! O maior clássico de futebol do Norte/Nordeste e um dos maiores do país, quiçá da Via Láctea, vai reunir rubro-negros e tricolores! Ao menos a quase mil quilômetros do palco do jogo. Na Paraíba, a Nêgo Jampa e a Jampa de Aço, duas representações locais dos gigantes baianos, se reunirão no mesmo espaço para assistir ao clássico pela 23 rodada do Campeonato Brasileiro.
Cenário muito diferente da realidade nos jogos ao vivo, nos estádios soteropolitanos ao longo de quase uma década. Desde 2017, por determinação judicial, comodismo dos aparatos de segurança e pouca, ou nenhuma vontade dos envolvidos, está estabelecido TORCIDA ÚNICA nos clássicos baianos.
Aqui, em solo paraibano, dará-se o exemplo e estarão (estaremos) juntos e misturados. Juntos e misturados entre aspas”- ressalva em tom de brincadeira, Artur Navarro, velha-guarda e integrante da diretoria da Nêgo Jampa, “na hora da celebração, ou mesmo sofrimento, é cada um no seu quadrado. Nós na Toca e eles no aquário…”
“Vocês no galinheiro” retruca Leandro, fundador e líder da Jampa de Aço:, “e quem perder tem que aguentar a resenha, como sempre foi na Bahia”
Este é o espírito da ideia. Torcida mista como acontecia na antiga Fonte Nova, um dos espaços mais tradicionais do futebol brasileiro. Tudo temperado com o molho baiano da irreverência, festividade e apimentado por muita rivalidade e resenha.

FESTA BAIANA EM JOÃO PESSOA
Leandro, citado acima, por sinal é o dono do Restaurante do Baiano, local da reunião coletiva e QG da torcida tricolor.
Mas, se engana quem pensa que a torcida do Vitória se sentirá em território “hostil”.
-Nós batizamos este lugar. O primeiro Bavi registrado aqui foi com uma confraternização nossa e vitória por 4 a 1, que carimbou nosso acesso a primeira divisão em 2015 e empurrou eles mais um ano na B- amplifica a provocação Eliseu Lins, um dos fundadores da Nêgo Jampa.
A cutucada na banda tricolor paraibana (lá ele) refere-se ao duelo pelo brasileiro da segunda divisão de 2015, quando a Nêgo Jampa celebrou dez anos de existência lá, com direito, além da goleada sobre o rival, a uma literal festa baiana, com muito axé, afoxé, acarajé etc…
Hoje a Nêgo Jampa chegou aos 21 anos de existência, permanecendo ativa como a mais antiga torcida do Vitória fora da Bahia e agora com status de Embaixada Oficial do ECV na Paraíba.
Por mais curioso que possa parecer, foi, exatamente a convivência com Nêgo Jampa que despertou no então “cavaleiro solitário”, Leandro o desejo de também agrupar torcedores do Bahia na capital paraibana.
A arregimentação e captação de torcedores, inclusive contou com a ajuda de integrantes da “rival” Nêgo Jampa, como Ricardo, torcedor do Vitória, que mantinha um comércio de comida típica baiana e indicava tricolores que circulavam por la.
Desde 2016 a Jampa de Aço está na ativa agregando novos membros.
BAVI É FESTA
Para domingo, além do BAVI, terão outros elementos em torno da cultura baiana.
A animação ficará por conta do artista baiano Dan Spencer com repertório passeando pelo cancioneiro da Bahia.
Mas, os organizadores entendem que muito mais que “desterrados” revivendo bons momentos da Boa Terra vale o exemplo e resgate de uma tradição histórica: a rivalidade sadia e compartilhada que sempre caracterizou o futebol baiano.
Se os índices comprovam que a violência cresceu, majoritariamente, entre torcidas organizadas, a impunidade e não sanção individual de envolvidos em atos, além da assunção de incompetência dos órgãos competentes, só amplifica este canal de impossibilidade de convivência harmoniosa.
Como um jovem torcedor baiano vai entender que rival não é inimigo, que é possível ocupar o mesmo espaço pacifica e respeitosamente, se a própria justiça, forças de segurança dizem que não há coexistência viável?
Por mais BAVIS de todos e para todos, Paraíba, Bahia e Brasil afora.




