Um áudio falso atribuído ao árbitro de vídeo (VAR) foi apresentado durante o julgamento de Cacá, zagueiro do Vitória, no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), nesta quinta-feira (27). O material, que já havia sido utilizado de forma equivocada em outro processo, acabou sendo questionado pela defesa do clube baiano e posteriormente descartado.
A situação aconteceu durante a sessão da Quarta Comissão Disciplinar, que analisou os acontecimentos do Ba-Vi 508, disputado no último domingo (23), no Barradão. O episódio envolveu a comemoração de Jean Lucas, do Bahia, e a reação dos jogadores do Vitória após o segundo gol do Tricolor.
Durante a apresentação das provas, o advogado do Vitória, Matheus Moreira Saleão, levantou dúvidas sobre a autenticidade do conteúdo exibido. Segundo ele, o material teria sido publicado por uma página conhecida por produzir paródias relacionadas ao VAR.
Diante do questionamento, o procurador Roberto Maldonado admitiu que não havia conferido previamente o vídeo que acompanhava o áudio.
O representante da Procuradoria explicou que havia solicitado a exibição apenas das imagens relacionadas à comemoração de Jean Lucas e à reação dos jogadores do Vitória. Ao perceber que o conteúdo apresentado poderia ser falso, concordou que a prova deveria ser desconsiderada.
A decisão de retirar o material da análise ocorreu durante a própria sessão, sem que o conteúdo fosse levado em consideração no julgamento de Cacá. O episódio desta quinta-feira não foi o primeiro envolvendo um áudio falso do VAR em um julgamento do tribunal desportivo.
Cerca de um mês antes, uma gravação semelhante apareceu durante o processo envolvendo o zagueiro Victor Gabriel, do Internacional. Na ocasião, o material também havia sido retirado de uma página de paródias e levantou questionamentos durante a sessão.
A repetição do episódio voltou a colocar em discussão a necessidade de verificar a autenticidade dos materiais apresentados como provas em processos no STJD.
Apesar da retirada do áudio da análise, o julgamento de Cacá prosseguiu normalmente. O zagueiro do Vitória foi punido com dois jogos de suspensão pelo artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de condutas contrárias à disciplina ou à ética esportiva.
A denúncia teve como base a atitude do defensor durante a comemoração do segundo gol do Bahia no clássico. Jean Lucas retirou a camisa e a exibiu para a torcida rubro-negra, provocando a reação de jogadores do Vitória. Marinho tentou arrancar o uniforme das mãos do volante, enquanto Cacá tentou rasgá-lo.
Marinho recebeu um jogo de suspensão, convertido em advertência, enquanto Jean Lucas foi absolvido da acusação de provocar o público.
O Bahia, por sua vez, foi multado em R$ 2 mil pelo atraso no início da partida e acabou absolvido de outra acusação relacionada ao regulamento. A decisão contra Cacá ainda pode ser contestada, e o jogador também poderá buscar efeito suspensivo para tentar atuar enquanto o recurso é analisado.




