O Esporte Clube Bahia está entre os cinco clubes da Série A do Campeonato Brasileiro que não aderiram ao manifesto divulgado por equipes e entidades do futebol brasileiro em defesa da manutenção do mercado regulamentado de apostas esportivas. Além do Tricolor, Athletico-PR, Coritiba, Internacional e Remo também não participaram da mobilização.
A manifestação ganhou força na quinta-feira (17), em meio às discussões sobre possíveis mudanças nas regras para o setor de apostas no Brasil. O documento divulgado pelos clubes participantes recebeu o título de “O fim do futebol brasileiro” e sustenta que alterações no mercado poderiam provocar impactos financeiros significativos para o futebol.
Dos 20 integrantes da Série A, 15 divulgaram o posicionamento. Entre eles estão clubes como Flamengo, Palmeiras, Corinthians, São Paulo, Santos, Vasco, Fluminense, Botafogo, Grêmio, Cruzeiro, Atlético-MG, Bragantino, Chapecoense e Mirassol. O Vitória também aderiu ao manifesto e publicou o documento em seus canais oficiais.
No caso do Bahia, a ausência no movimento já havia sido registrada na manhã de sexta-feira (18). O clube não publicou o manifesto em seus canais oficiais, diferentemente do Vitória e de outras equipes baianas que decidiram participar da mobilização.
Debate envolve mudanças nas regras
A discussão acontece diante da possibilidade de o Governo Federal alterar as regras relacionadas aos jogos on-line. Segundo informações divulgadas sobre a proposta em análise, a medida discutida envolve principalmente os chamados jogos de cassino on-line e poderia retirar essa modalidade do mercado de apostas de quota fixa regulamentado pela Lei nº 14.790/2023.
É importante destacar que a discussão sobre jogos on-line não significa necessariamente uma proibição das apostas esportivas. A proposta em debate e seus possíveis efeitos sobre o setor ainda são alvo de discussões.
Os clubes que assinaram o manifesto argumentam que o mercado regulamentado se tornou uma importante fonte de recursos para o futebol brasileiro. Na avaliação apresentada no documento, uma mudança brusca poderia reduzir receitas de patrocínio e investimentos destinados às equipes.
O texto também reconhece a existência de impactos sociais relacionados às apostas, mas defende medidas como fiscalização, prevenção, educação e proteção aos consumidores em vez de mudanças que, segundo os signatários, poderiam estimular a migração de apostadores para plataformas clandestinas.
Até o momento dos levantamentos publicados sobre a mobilização, o Bahia não havia apresentado uma manifestação oficial explicando a decisão de não participar do documento. A divisão entre os clubes ocorre em um momento em que a relação entre futebol e casas de apostas está no centro do debate nacional, especialmente pelo peso que os patrocínios do setor passaram a ter no financiamento das equipes.




