Dirigente do Bahia explica voto contra redução de estrangeiros no Brasileirão




Dirigente do Bahia explica voto contra redução de estrangeiros no Brasileirão

A partir de 2027, a quantidade será reduzida para oito e seguirá diminuindo anualmente até chegar a cinco em 2030.

Dirigente do Bahia explica voto contra redução de estrangeiros no Brasileirão
Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia

O Esporte Clube Bahia foi um dos três clubes que se posicionaram contra a redução do limite de jogadores estrangeiros no Campeonato Brasileiro durante a reunião realizada nesta segunda-feira (21), na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro. Além do Tricolor, Flamengo e Londrina também votaram contra a proposta.

A mudança, aprovada pela maioria dos clubes, prevê uma redução gradual do número de atletas estrangeiros que podem ser relacionados nas partidas do Brasileirão. O limite atual é de nove jogadores. A partir de 2027, a quantidade será reduzida para oito e seguirá diminuindo anualmente até chegar a cinco em 2030.

O tema foi um dos principais pontos de discordância do Bahia. De acordo com Vitor Ferraz, diretor de operações e relações institucionais do clube, a possibilidade de buscar jogadores no mercado internacional está diretamente ligada ao planejamento esportivo tricolor.

Atualmente, o Bahia conta com nove atletas estrangeiros no elenco. Mesmo tendo votado contra a alteração, o dirigente afirmou que o clube irá respeitar a decisão tomada pela maioria e fará os ajustes necessários para cumprir o novo regulamento.

“O posicionamento do Bahia é por entender que a estratégia do clube passa pela oportunidade de trazer atletas estrangeiros quando entender que é o caso. Mas a gente respeita, obviamente, a decisão do colegiado, a maioria, e o clube vai se adaptar àquilo que foi decidido, sem nenhuma dificuldade”, afirmou Ferraz.

Segundo o dirigente, o mercado internacional oferece oportunidades que podem ser consideradas pelo Bahia dentro do seu modelo de contratação. Ele citou, entre outros fatores, a relação cambial como um elemento que pode favorecer a busca por jogadores em determinados mercados.

“Ter a possibilidade da contratação de um número maior de atletas estrangeiros pode ser algo interessante, porque existem oportunidades no mercado, principalmente considerando a valorização da nossa moeda frente a outras praças que têm uma capacidade de fornecimento de atletas de bom nível”, explicou.

Apesar da discordância, Ferraz avaliou que a redução acontecerá de maneira suficientemente gradual para permitir que os clubes ajustem seus planejamentos ao longo dos próximos anos. A nova regra não terá uma mudança brusca de uma temporada para outra. O teto será reduzido em um jogador por ano, permitindo que as equipes acompanhem a alteração progressivamente.

Outro ponto destacado por Vitor Ferraz foi a possibilidade de os clubes voltarem a discutir o assunto no futuro. Segundo o representante do Bahia, a decisão não necessariamente encerra o debate sobre a quantidade de estrangeiros permitida no futebol brasileiro.

“Foi colocada essa possibilidade, a proposta de uma redução gradativa, uma diminuição de um atleta por ano, um número limite. Mas que, a qualquer momento, nesse debate, nessa mesa permanente que há, os clubes possam revisitar essa decisão e eventualmente alterá-la”, afirmou.

A declaração mantém aberta a possibilidade de uma nova discussão sobre o limite caso os clubes entendam, futuramente, que a regra precisa ser modificada. Vitor Ferraz também foi questionado sobre um possível impacto da decisão na atração de novos investidores para o futebol brasileiro, especialmente no modelo de Sociedade Anônima do Futebol (SAF).

O Bahia passou por esse processo em 2023, quando o Grupo City adquiriu 90% das ações da SAF do clube. Para o dirigente, a mudança aprovada pela CBF, por si só, não representa um fator capaz de alterar o interesse de investidores pelo mercado brasileiro.

“Eu acho que, chegar ao ponto de impactar na possibilidade de investidores olharem para o Brasil como um local propício para virem estabelecer o seu trabalho, vai da estratégia de cada entidade, de cada clube”, declarou.

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Fellipe Amaral

Administrador e colunista do site Futebol Baiano. Contato: futebolbahiano2007@gmail.com



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