O Flamengo voltou a se posicionar contra uma eventual proibição das casas de apostas esportivas no Brasil. O clube defende a manutenção do mercado regulamentado e afirma que uma interrupção abrupta da atividade poderia provocar impactos financeiros no futebol brasileiro.
Em manifestação divulgada nesta sexta-feira (25), o Rubro-Negro reforçou o entendimento de que o caminho deve ser o combate ao mercado ilegal, e não o encerramento das operações das empresas autorizadas. A posição já havia sido apresentada pelo clube anteriormente, em meio às discussões sobre uma possível Medida Provisória do governo federal.
Segundo o Flamengo, clubes e demais agentes do futebol assumiram compromissos comerciais e financeiros levando em consideração as regras estabelecidas para o mercado de apostas. Na avaliação apresentada pela instituição, uma mudança repentina na legislação poderia afetar contratos e receitas importantes para o setor.
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, também falou sobre o assunto. Em entrevista ao Metrópoles, ele afirmou que o fim das bets poderia representar um impacto de aproximadamente R$ 400 milhões nas receitas do clube em 2027. O dirigente classificou uma eventual proibição como uma medida “muito drástica”.
O Flamengo possui atualmente a Betano como patrocinadora máster. De acordo com informações divulgadas pela imprensa, o contrato entre as partes está entre os maiores acordos de patrocínio do futebol brasileiro. Em caso de proibição das apostas esportivas, mudanças nos contratos de patrocínio poderiam ocorrer.
O posicionamento do Flamengo ocorre em meio a uma mobilização de clubes e entidades do futebol brasileiro. Em setembro, equipes e federações divulgaram um manifesto em defesa da continuidade do mercado regulamentado de apostas.
CONFIRA A NOTA
“O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.
Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório.
Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la.
Isso é uma questão de segurança jurídica. E segurança jurídica não interessa apenas às empresas de apostas. Interessa a qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista, contrate e faça planos de longo prazo no Brasil confiando nas regras estabelecidas pelo próprio Estado. A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro.

