O Esporte Clube Vitória atravessa seu momento mais delicado na temporada, e a queda de rendimento no segundo semestre aumentou a pressão sobre Jair Ventura. O Rubro-Negro venceu apenas uma das últimas sete partidas, empatou outra e sofreu cinco derrotas, desempenho que representa um aproveitamento de 14,3% no período.
A sequência negativa também foi marcada por resultados de peso. O time perdeu o Ba-Vi pelo Campeonato Brasileiro e acabou eliminado pelo Vasco nas quartas de final da Copa do Brasil, com os dois jogos disputados no Barradão.
O cenário contrasta com o desempenho apresentado pelo Vitória durante boa parte do primeiro semestre. A equipe conquistou a Copa do Nordeste, fez uma campanha consistente na primeira metade do Brasileirão e criou uma expectativa maior entre os torcedores para a sequência da temporada.
Jair Ventura reconheceu a oscilação, mas ponderou que o Vitória ainda não entrou na zona de rebaixamento e destacou que o segundo turno costuma apresentar um nível maior de dificuldade.
“Falamos em fazer um ano mais tranquilo e geramos uma expectativa grande pela nossa campanha no primeiro turno e pelo título da Copa do Nordeste. Como todas as equipes no campeonato, a gente oscilou. Mesmo assim, não entramos na zona de rebaixamento”, afirmou o treinador.
Na avaliação de Jair, uma das dificuldades enfrentadas pelo Vitória está relacionada à movimentação dos adversários durante a janela de transferências. O técnico citou Vasco e Santos, equipes que também estavam próximas do Rubro-Negro na tabela, como exemplos de clubes que conseguiram modificar significativamente seus elencos.
O treinador lembrou que o Vasco enfrentado pelo Vitória na Copa do Brasil tinha várias peças que não estavam presentes no confronto anterior entre as equipes. Entre os reforços citados estão Colidio, Bruno Duarte, Lezcano e Sosa. Segundo Jair, o mesmo aconteceu com o Santos, que incorporou jogadores como Rodinei, Everton Cebolinha, Lima e Arthur.
“Se você pegar o Vasco que nós vencemos e comparar com o Vasco que a gente perdeu na Copa do Brasil, é outro time. Chegaram Colidio, Bruno Duarte, Lezcano, Sosa. Praticamente 50% do time mudou”, explicou.
O comandante também apontou que a diferença de investimento limita a capacidade do Vitória de fazer uma reformulação semelhante. Ao comentar a cobrança por reforços, Jair Ventura afirmou que o clube trabalha dentro de uma realidade financeira diferente daquela encontrada em alguns concorrentes diretos.
O treinador explicou que o Vitória não conseguiu alcançar o patamar de investimento desejado pela comissão técnica e pelo departamento de futebol durante a janela. Jair citou diretamente o presidente Fábio Mota e o diretor de futebol Sérgio Papellin ao falar sobre o planejamento para reforçar o elenco.
“Ah, mas por que vocês não fizeram isso também? Então, por conta dos valores, a gente não tem R$ 30 milhões para gastar de folha, a gente não tem o valor que o [Sérgio] Papellin queria, o Fábio [Mota, presidente], eu, todo departamento de futebol, nós queríamos para reforçar. A nossa realidade financeira é outra”, declarou.
Apesar das limitações, Jair ressaltou que a pressão sobre o Vitória permanece elevada, independentemente da capacidade de investimento do clube. “Só que a paixão e a cobrança é a mesma, e a gente tem que ir”, completou.
