Fim das bets pode gerar rombo de R$ 55 milhões no Vitória, diz Fábio Mota

Fim das bets pode gerar rombo de R$ 55 milhões no Vitória, diz Fábio Mota

Presidente Fábio Mota afirma que clube perdeu receitas previstas em contratos e alerta para possíveis dificuldades no pagamento de compromissos.

Fim das bets pode gerar rombo de R$ 55 milhões no Vitória, diz Fábio Mota
Foto: Victor Ferreira/EC Vitória

O Esporte Clube Vitória calcula que a proibição das apostas de quota fixa no Brasil poderá representar uma perda de até R$ 55 milhões em receitas até 2027. O alerta foi feito pelo presidente do clube, Fábio Mota, que detalhou os efeitos da medida para o planejamento financeiro rubro-negro.

De acordo com o dirigente, o impacto não está restrito ao contrato de patrocínio da camisa. O Vitória também prevê redução de receitas provenientes de placas publicitárias e outros espaços comerciais vinculados às empresas de apostas.

A principal preocupação está na interrupção de receitas que já estavam incluídas no planejamento financeiro do clube. Fábio Mota afirmou que o Vitória tinha acordo com a 7K válido até dezembro de 2027 e que os valores previstos seriam utilizados para cumprir compromissos financeiros assumidos pela instituição.

“O Vitória tinha contrato com a 7K até dezembro de 2027. Em cima desse contrato e do valor a receber, fizemos o planejamento financeiro, o acordo global com a Justiça para pagar as parcelas por mês, o acordo para pagar as prestações da CNRD, parcelou o imposto para pagar a Perse”, disse à Rádio Baiana FM.

“De uma hora para outra, esse contrato foi extinto. Da forma que foi feito pelo Governo Federal, não permite que você receba a multa e nem a rescisão do contrato. Faltou uma transição, isso foi feito na Premier League, um ano para adaptação. Virou terra arrasada para os clubes brasileiros”, completou.

O presidente explicou que o clube havia organizado seu fluxo de caixa considerando essas receitas para honrar parcelas de acordos com credores e obrigações fiscais. Segundo a projeção apresentada por Mota, o Vitória deixará de receber cerca de R$ 10 milhões até o encerramento de 2026. Para 2027, a estimativa é de uma perda adicional de aproximadamente R$ 45 milhões, chegando aos R$ 55 milhões mencionados pelo dirigente.

“Como não recebemos no mês passado, são R$ 10 milhões até o fim do ano. Ano que vem, um rombo de R$ 45 milhões”, completou.

Fábio Mota também chamou atenção para o efeito da medida sobre as placas publicitárias presentes nos estádios. Segundo ele, uma parcela significativa desse mercado era sustentada por empresas de apostas, o que pode provocar uma queda adicional nas receitas dos clubes.

“No caso do Vitória seriam R$ 35 milhões. Ano que vem seriam R$ 45 milhões. As placas recebem 75% de dinheiro das bets. As placas também já notificaram os clubes dizendo que não vão nos pagar”, revelou.

No caso do Vitória, o contrato com a 7K era apontado como uma das principais fontes de patrocínio do clube. Com a nova medida, as empresas terão de retirar publicidades e patrocínios, com prazo previsto para 5 de outubro.

O presidente rubro-negro também demonstrou preocupação com os reflexos da perda de receita sobre os compromissos já assumidos pelo Vitória. O clube vem utilizando acordos de parcelamento para reorganizar seu passivo e reduzir o peso das dívidas no orçamento.

Na avaliação apresentada por Mota, uma queda significativa no fluxo de caixa pode dificultar o cumprimento dessas obrigações. Entre os riscos citados estão problemas com pagamentos à CNRD, bloqueios judiciais e até a perda de benefícios obtidos em programas de regularização fiscal.

“Sem dinheiro para pagar a CNRD, vai tomar transfer ban. Não tem dinheiro para pagar a Justiça do Trabalho, vai ter as contas bloqueadas. Não tem dinheiro para pagar o Perse, vai perder o Perse. A gente diminuiu na metade a dívida do clube para conseguir fazer o Perse. Quando você deixa de pagar, a dívida volta para o valor original e perde o Perse”, alertou Mota.

O dirigente destacou ainda que o Vitória conseguiu reduzir parte de sua dívida por meio de acordos e parcelamentos. Uma eventual interrupção dos pagamentos poderia comprometer essas negociações e aumentar novamente o passivo da instituição.

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Fellipe Amaral

Administrador e colunista do site Futebol Baiano. Contato: futebolbahiano2007@gmail.com



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