Proibição das bets faz Bahia suspender contratos e afeta projetos esportivos

Proibição das bets faz Bahia suspender contratos e afeta projetos esportivos

Medida Provisória que proibiu apostas de quota fixa no país também interfere em acordos de patrocínio, marketing e outras iniciativas vinculadas ao clube.

Proibição das bets faz Bahia suspender contratos e afeta projetos esportivos
Foto: Felipe Oliveira/E.C. Bahia

A decisão do governo federal de proibir as apostas de quota fixa no Brasil já provoca mudanças na estrutura comercial do futebol e também chegou ao Esporte Clube Bahia. Diante da Medida Provisória 1.394/2026, o clube precisou suspender contratos relacionados a empresas do setor de apostas, com reflexos que vão além do futebol profissional, de acordo com informação do portal A Tarde.

A nova regra, assinada em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das chamadas bets em território nacional. A medida também alcança ações de marketing, divulgação e patrocínio associadas às plataformas de apostas.

No caso do Bahia, os efeitos aparecem principalmente em acordos que envolvem modalidades e projetos esportivos ligados ao clube. Com a mudança na legislação, contratos que tenham relação com empresas de apostas precisam ser interrompidos enquanto a nova realidade jurídica estiver em vigor.

O cenário é consequência de uma transformação que atingiu praticamente todo o futebol brasileiro. As casas de apostas se tornaram uma das principais fontes de investimento no esporte nos últimos anos, ocupando espaços relevantes em uniformes, placas, propriedades comerciais e projetos de diferentes modalidades.

O impacto sobre o futebol profissional do Bahia é diferente do observado em boa parte dos clubes da Série A. O Tricolor não tinha, no momento da publicação da MP, uma casa de apostas como patrocinadora master.

O clube havia encerrado em janeiro deste ano o vínculo com a Viva Sorte Bet, que ocupava o principal espaço comercial da camisa. O contrato, firmado originalmente em 2025, previa investimento de R$ 40 milhões por ano. Após a rescisão, o Bahia passou a contar com o Banco BMG em outra propriedade do uniforme.

O Bahia chegou a ter diferentes empresas de apostas como patrocinadoras nos últimos anos. Antes da Viva Sorte Bet, o clube havia mantido acordos com Casa de Apostas e Esportes da Sorte, enquanto a Esportiva Bet também apareceu no uniforme tricolor em 2026.

Por isso, a atual proibição não representa para o futebol masculino do Bahia a mesma perda imediata de receita enfrentada por clubes que ainda mantinham contratos milionários com bets.

Levantamentos divulgados após a publicação da MP apontaram que o Bahia estava entre os clubes da Série A sem contrato vigente com uma casa de apostas.

Apesar de não possuir atualmente uma bet como patrocinadora principal, o Bahia mantém uma estrutura esportiva que envolve diferentes modalidades e projetos. É justamente nesse cenário que a determinação do governo provoca mudanças.

A interrupção dos contratos reduz a possibilidade de utilização de marcas do setor em propriedades comerciais e projetos esportivos. A situação ainda depende dos desdobramentos da própria MP, que precisa passar pelo Congresso Nacional para se transformar definitivamente em lei.

A decisão também provocou uma reação ampla dos clubes brasileiros. O governo chegou a reunir representantes das equipes para discutir os efeitos da medida e possíveis alternativas diante dos prejuízos provocados pela interrupção dos contratos. Em 2025, empresas de apostas haviam investido R$ 1,143 bilhão em patrocínios aos 20 clubes de maior receita do país, segundo levantamento da Sports Value citado pelo Ministério do Esporte.

Enquanto o debate continua em Brasília, clubes, arenas e empresas precisam adaptar seus contratos à nova legislação. Na Bahia, a própria Arena Fonte Nova já anunciou que irá cumprir a determinação e suspender o acordo de naming rights com a Casa de Apostas. O contrato havia sido firmado em 2024, com valor de R$ 13 milhões por ano.

O Bahia, portanto, atravessa a mudança com uma situação diferente da maioria dos concorrentes da Série A: embora não tenha atualmente uma bet como patrocinadora master, a proibição já interfere em acordos relacionados a outras áreas do clube e exige uma revisão das parcerias que ainda tenham ligação com o setor.

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Fellipe Amaral

Administrador e colunista do site Futebol Baiano. Contato: futebolbahiano2007@gmail.com



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