O Corinthians vive mais um episódio de turbulência nos bastidores antes de enfrentar o Vitória pela Série A do Campeonato Brasileiro. O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou à Justiça a prisão preventiva de Armando Mendonça, vice-presidente do clube, em um processo que investiga supostas irregularidades envolvendo materiais esportivos fornecidos pela Nike.
O pedido foi apresentado na sexta-feira (16), após o desligamento de Marcelo Munhoes, ex-diretor de Tecnologia da Informação do Timão e considerado uma testemunha importante para a acusação. Para o Ministério Público, a demissão levanta suspeitas de uma possível tentativa de dificultar a investigação e influenciar os depoimentos que ainda serão realizados.
A manifestação foi encaminhada à 25ª Vara Criminal da Barra Funda. Segundo o promotor Cássio Roberto Conserino, a saída do ex-diretor ocorreu pouco antes da audiência de instrução do processo, agendada para 10 de novembro, o que motivou questionamentos sobre as circunstâncias do desligamento.
Além de solicitar a prisão preventiva de Mendonça, a Promotoria pediu, alternativamente, a aplicação de medidas cautelares. Um novo procedimento investigativo também foi aberto para apurar se houve alguma tentativa de interferência no andamento do caso.
A defesa de Armando Mendonça contesta a iniciativa do Ministério Público e sustenta que o vice-presidente não teve participação na demissão de Marcelo Munhoes. De acordo com os advogados, a decisão foi tomada pelo presidente do Corinthians, Osmar Stabile, no exercício de suas atribuições administrativas.
Os representantes do dirigente também argumentam que o afastamento pode ter relação com disputas políticas internas, uma vez que Munhoes teria se aproximado de uma chapa de oposição na eleição do clube, prevista para 28 de novembro.
Em manifestação pública, a defesa classificou o pedido de prisão como abusivo e questionou a atuação do promotor responsável pela investigação. Os advogados afirmaram confiar na Justiça e defenderam que não existem provas que vinculem Mendonça à decisão de desligar o ex-diretor.
Até o momento, o pedido de prisão preventiva depende de análise judicial e não representa uma decisão definitiva sobre a situação do dirigente.
Armando Mendonça tornou-se réu em junho de 2026 em uma ação penal relacionada à distribuição de produtos esportivos fornecidos pela Nike ao Corinthians. A investigação teve como base, entre outros elementos, uma auditoria interna que apontou possíveis irregularidades na retirada de uniformes e de outros itens.
Segundo a acusação, o levantamento identificou 131 artigos esportivos cuja retirada foi atribuída ao vice-presidente. O Ministério Público também aponta suspeitas envolvendo 19 camisas especiais com um patch comemorativo da NFL e outras oito unidades da mesma edição.
O dirigente responde a acusações relacionadas a apropriação indébita, tentativa de apropriação indébita, furto qualificado por abuso de confiança e coação no curso do processo. Mendonça nega as irregularidades e contesta as conclusões da auditoria.
O novo pedido do Ministério Público acrescenta mais um capítulo à crise administrativa enfrentada pelo Corinthians, justamente na preparação para o compromisso contra o Vitória, marcado para segunda-feira (19), às 20h, na Neo Química Arena, pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro.


