Depois de escapar do rebaixamento na última rodada da Série A de 2023, o Esporte Clube Bahia começou a temporada 2024 com expectativas renovadas, ainda mais com os reforços “badalados” que chegaram, casos de Caio Alexandre, Jean Lucas e Everton Ribeiro. O Esquadrão venceu as concorrências para contratar esses jogadores e criar um meio de campo técnico.
Mesmo com o investimento, o primeiro trimestre do Bahia foi decepcionante. No Campeonato Baiano, tomou duas viradas de 3 a 2 do Vitória, uma na primeira fase e outra no primeiro jogo da final, quando estava vencendo por 2 a 0 no Barradão, e sofreu três gols nos instantes finais. O Esquadrão acabou ficando com o vice-campeonato após o empate em 1 a 1 na Arena Fonte Nova na partida de volta.
Na Copa do Nordeste, outra decepção. Após se classificar como líder do seu grupo na primeira fase, o Bahia acabou sendo eliminado pelo CRB na semifinal, na disputa por pênaltis após um empate sem gols no tempo normal, dentro da Arena Fonte Nova. Essas decepções fizeram a torcida pedir a saída do técnico Rogério Ceni, mas ele seguiu no comando.
O Campeonato Brasileiro começou com a torcida sob desconfiança, muitos acreditando que o sofrimento seria igual ao de 2023, mas para surpresa de muitos, o Bahia teve um excelente início de competição, chegou a brigar pela liderança, passou quase todo o primeiro turno dentro do G-4, fazendo muitos tricolores sonharem até com um possível tricampeonato brasileiro. A imprensa nacional exaltava o futebol do time de Rogério Ceni, que dominava quase todos os jogos.
No entanto, no final do primeiro turno e iniciando o returno, o Bahia teve uma queda drástica de rendimento, e o futebol do time se tornou previsível e burocrático. Nesse momento, muitos pediram mudanças na equipe, mas Rogério Ceni preferiu se abraçar as suas convicções, mantendo a formação e bancando jogadores que não rendiam mais como antes. Na janela do meio do ano, o Bahia trouxe Iago Borduchi e Lucho Rodríguez.
Lucho Rodríguez chegou por R$ 63 milhões, se tornando a contratação mais cara do futebol nordestino. Era esperado que o uruguaio chegasse para ser titular e fazer a diferença, mas Rogério Ceni seguiu agarrado nas duas convicções e demorou para mudar o time e colocar o atacante que veio a peso de ouro entre os 11.
No segundo turno, o torcedor sofreu bastante, cobrou e xingou o técnico Rogério Ceni, que foi bancado no cargo pelo CEO do Grupo City, Ferran Soriano, inclusive comparado o treinador a Pep Guardiola. Visivelmente com o psicológico abalado, Bahia chegou a ficar oito rodadas sem vencer, desceu na tabela, e viu a classificação à Libertadores escapar das suas mãos por um instante. Apenas na reta final, Ceni resolveu modificar o time (antes tarde, do que nunca). Lucho, que tanto a torcida cobrava no time, se tornou titular e peça importante, com gols decisivos.
As mudanças não fizeram a equipe voltar a render o mesmo do primeiro turno, mas conseguiu evitar um “desastre” e garantiu vaga para a Pré-Libertadores, ao vencer o Atlético-GO por 2 a 0 na última rodada, terminando na 8ª colocação, melhor campanha da história do tricolor na era dos pontos corridos.
Fica de positivo na temporada o fato do Bahia não ter lutado em nenhum momento contra o rebaixamento. O Esquadrão passou todo o campeonato apenas brigando pela vaga na Libertadores, algo importante para o clube que se acostumou nos últimos anos a colocar como objetivo principal apenas a permanência na elite.
Outro ponto positivo foi a torcida tricolor, que mesmo nos momentos ruins, não abandonou o clube e encerrou a Série A com a 4ª melhor média de público (36.533 torcedores em média por jogo). O Esquadrão só ficou atrás de Flamengo (53.893), Corinthians (43.869) e São Paulo (39.940).
Em suma, a temporada termina para o Bahia com o sonho realizado de voltar a disputar a Copa Libertadores depois de 35 anos. Será a sua 4ª participação no torneio internacional, porém, terá que passar ainda pela fase preliminar para conseguir vaga na fase de grupos, e terá como primeiro adversário o The Strongest. A torcida espera que o Bahia de 2025 tenha uma postura diferente do Bahia de 2024, com sede de conquistas.
NÚMEROS DO BAHIA EM 2024
Campeonato Baiano – 13 jogos, com 8 vitórias, 2 empates e 3 derrotas, 31 gols marcados e 13 sofridos.
Copa do Nordeste – 10 jogos, com 7 vitórias, 1 empate e 2 derrotas, 14 gols marcados e 8 sofridos.
Copa do Brasil – 8 jogos, com 4 vitórias, 2 empates e 2 derrotas, 11 gols marcados e 5 sofridos.
Brasileirão – 38 jogos, com 15 vitórias, 8 empates e 15 derrotas, 49 gols marcados e 49 sofridos.

