O futebol nordestino enfrenta desafios estruturais e financeiros que limitam seu crescimento. Este artigo analisa a importância da Liga do Nordeste na criação de um campeonato forte e sustentável, substituindo os defasados estaduais. Além disso, discute o impacto da profissionalização dos clubes por meio das SAFs, o potencial de arrecadação de uma liga bem organizada e os benefícios para torcedores, patrocinadores e a economia regional. Com um modelo sólido, o Nordeste pode se tornar referência no futebol brasileiro.
Introdução
O desenvolvimento do futebol na Região Nordeste do Brasil está profundamente ligado ao fortalecimento da Liga do Nordeste. Atualmente, o sucesso ou fracasso do futebol regional depende diretamente do papel e desempenho dessa liga. Enquanto os Campeonatos Estaduais possuem uma tradição consolidada, eles se mostram cada vez mais obsoletos diante das demandas modernas do futebol global. Este texto propõe uma reestruturação do futebol nordestino, focando na criação de um Campeonato do Nordeste robusto e bem organizado, capaz de elevar o nível esportivo e financeiro dos clubes da região.
Problemas dos Campeonatos Estaduais
Os Campeonatos Estaduais, apesar de sua importância histórica, enfrentam diversos problemas que os tornam pouco atrativos e deficitários. Entre as principais deficiências, destacam-se:
1) Baixo apelo ao público: A média de público nos estádios é significativamente baixa. Em 2024, por exemplo, a média de público no Campeonato Baiano foi de apenas 2.497 torcedores por jogo, enquanto a Copa do Nordeste registrou uma média superior, com 5.302 torcedores por partida.
2) Déficit financeiro: Muitos clubes enfrentam dificuldades financeiras devido aos altos custos de organização e à baixa arrecadação. Em 2024, apenas 30% dos clubes nordestinos conseguiram fechar o ano com superávit.
3) Falta de competitividade: A disparidade entre os clubes é grande, o que diminui o interesse de torcedores e patrocinadores. Em alguns estados, como Alagoas e Sergipe, os campeonatos são dominados por apenas dois ou três clubes.
A Copa do Nordeste e seu Potencial
A Copa do Nordeste já demonstra um potencial significativo para movimentar o público e elevar a qualidade do futebol na região. Em 2024, a competição teve uma audiência média de 1,5 milhão de espectadores por jogo na TV, além de movimentar mais de R$ 100 milhões em patrocínios e direitos de transmissão.
Uma Liga do Nordeste bem estruturada tem o potencial de gerar um impacto financeiro expressivo para os clubes da região. De acordo com estudos do Sports Value, a criação de uma liga regional sólida poderia elevar a arrecadação com direitos de transmissão, patrocínios e bilheteria para um patamar entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões anuais, superando os atuais valores da Copa do Nordeste. Para efeito de comparação, a Liga MX (México), que adota um modelo regionalizado semelhante, movimenta cerca de US$ 1 bilhão por ano em receitas (Pluri Sports, 2023). Além disso, um torneio bem organizado poderia atrair mais investimentos estrangeiros e aumentar a venda de jogadores para mercados internacionais, gerando receitas adicionais para os clubes. Segundo o InfoMoney, clubes que adotaram a gestão profissionalizada, como os que se tornaram SAFs, registraram um aumento médio de 35% na arrecadação anual. Dessa forma, uma liga independente e bem gerida poderia transformar o futebol nordestino em um ativo altamente lucrativo, beneficiando tanto os clubes quanto a economia regional.
Proposta de Reestruturação
A proposta apresentada visa transformar a Copa do Nordeste em um Campeonato do Nordeste, com uma estrutura mais sólida e competitiva. Abaixo, detalhamos as principais mudanças sugeridas:

Vantagens da Liga do Nordeste
A recriação de uma Liga do Nordeste bem estruturada traria diversas vantagens, tanto esportivas quanto financeiras:
1) Melhoria da Qualidade Esportiva: A competição entre os melhores clubes da região elevaria o nível técnico e tático dos jogadores.
2) Aumento da Receita: Com um produto mais atrativo, seria possível atrair mais patrocinadores e aumentar a arrecadação com bilheteria e direitos de transmissão.
3) Infraestrutura Melhorada: A exigência de padrões elevados para estádios e redes de comunicação garantiria uma melhor experiência para torcedores e jogadores.
4) Visibilidade Nacional e Internacional: Um campeonato bem organizado e competitivo poderia ganhar visibilidade além das fronteiras da região, atraindo investimentos e talentos.
A Atual Situação da Liga do Nordeste e a Administração da Copa do Nordeste pela CBF
A Liga do Nordeste enfrenta desafios políticos, estruturais e administrativos que limitam seu potencial de crescimento. Atualmente, a Copa do Nordeste é organizada pela CBF, que detém o controle sobre direitos de transmissão, patrocínios e distribuição de recursos, o que gera críticas por falta de transparência e investimentos desiguais entre os clubes. Muitos dirigentes e especialistas defendem que a Liga do Nordeste assuma a gestão da competição, permitindo maior autonomia financeira e esportiva para os clubes, nos moldes de outras ligas independentes bem-sucedidas no mundo. A centralização da CBF restringe o desenvolvimento da liga, pois prioriza os campeonatos nacionais e estaduais, enquanto a Copa do Nordeste já demonstrou ser um produto altamente rentável, com médias de público superiores às dos estaduais e crescente interesse de patrocinadores. Para que a competição alcance seu verdadeiro potencial, é essencial uma reestruturação administrativa que fortaleça a Liga do Nordeste, garantindo mais investimentos, melhor distribuição de receitas e um modelo de gestão profissionalizado, focado na evolução sustentável do futebol regional. Em 2024, apenas 40% dos clubes relataram estar satisfeitos com a gestão da competição.
A Importância das SAFs no Futebol Nordestino
As Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) têm se mostrado uma solução viável para a modernização e profissionalização dos clubes. No Nordeste, já existem 5 clubes que adotaram o modelo de SAF:
1) Bahia: Controlado pelo Grupo City, o Bahia encerrou 2024 com uma média de público de 36.022 torcedores por jogo, a maior da região.
2) Fortaleza: O clube possui uma gestão profissionalizada e registrou uma média de público de
31.125 torcedores por jogo em 2024.
3) Ceará: Primeiro clube nordestino a se tornar SAF, o Ceará teve uma média de público de 28.149 torcedores por jogo na Série B de 2024.
4) Santa Cruz: O tradicional clube pernambucano finalizou o processo de transição para SAF no início de 2025.
5) Botafogo-PB: O clube paraibano está em processo avançado para oficializar a transição para o modelo SAF.
As SAFs trazem benefícios como:
– Gestão Profissionalizada: Redução de dívidas e aumento da eficiência administrativa.
– Atração de Investimentos: Maior capacidade de captação de recursos e patrocínios.
– Sustentabilidade Financeira: Melhoria na gestão de receitas e despesas.
Conclusão
A reestruturação do futebol nordestino com a recriação da Liga do Nordeste é essencial para consolidar a região como um polo esportivo de destaque no Brasil. A criação de um Campeonato do Nordeste robusto e bem estruturado pode gerar impactos significativos tanto no aspecto esportivo quanto financeiro. Com um modelo de competição mais atraente, o torneio pode aumentar a competitividade entre os clubes, atrair novos investimentos e impulsionar a presença de público nos estádios.
Além disso, a modernização da gestão dos clubes por meio das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) fortalece a sustentabilidade financeira das equipes, permitindo um crescimento estruturado e duradouro. A profissionalização da administração esportiva e o aumento da visibilidade da Liga podem transformar o futebol nordestino em um produto altamente valorizado dentro e fora do Brasil.
Por fim, a Liga do Nordeste, se bem organizada e administrada, pode se tornar uma referência no futebol brasileiro, promovendo uma competição equilibrada, fortalecendo a economia regional e proporcionando uma experiência mais rica para torcedores e patrocinadores. O sucesso dessa iniciativa depende do engajamento dos clubes, do apoio de investidores e da estruturação de um modelo que priorize o crescimento sustentável do futebol na região.
Fontes de Informação
1. Confederação Brasileira de Futebol (CBF): www.cbf.com.br
2. Globo Esporte (GE): www.ge.globo.com
3. Lance!: www.lance.com.br
4. UOL Esporte: www.uol.com.br/esporte
5. Pluri Sports: www.plurisports.com.br
6. InfoMoney: www.infomoney.com.br
7. Blog do Jordan Bezerra: www.blogdojordanbezerra.com
8. Sports Value: www.sportsvalue.com.br
Esta é uma atualização de um artigo que escrevi aqui no FUTEBOL BAIANO em 2024, também conhecido como ano passado. Desta vez está mais estruturado, tem mais dados e uma contextualização melhor. Se você identificou algum erro, tem uma informação mais atualizada, ou mesmo uma opinião diferente do que trago aqui, por favor, participe, escreva sua crítica, sua opinião ou ainda seu apoio!

