O zagueiro Rodrigo Becão surgiu como uma grande promessa na base do Bahia e foi promovido ao elenco principal em 2016, mas fez apenas 20 jogos, e foi emprestado ao CSKA, da Rússia. Após se destacar, foi vendido pelo Esquadrão para a Udinese, da Itália, por R$ 6 milhões. Foram quatro temporadas no futebol italiano, sendo negociado com o Fenerbahçe, da Turquia, onde está atualmente.
No Bahia, Becão não teve tantas oportunidades nos dois anos que fez parte do elenco principal, além disso, conviveu com as críticas e pressão da torcida. Na Europa, o defensor, hoje aos 29 anos, teve grande destaque, inclusive disputando Champions League. Em entrevista ao Zona Mista, o jogador recordou a cobrança que sofreu logo após ser promovido aos profissionais, mas afirmou que não tem mágoa.
“Uma coisa que eu acho que os torcedores aprendem isso com o tempo, que na Europa não tem tanto, aqui tem muito a cultura do torcedor brasileiro, da não paciência com os jogadores da base. E não costuma montar tanta paciência, você quer jogador já pronto e não funciona assim. Com alguns pode até funcionar, já sobe pronto, com outros você ganha mais tempo. Você precisa ter um pouco mais de paciência. Eu sei que torcedor, é difícil ter paciência. Na Europa você não vê isso em lugar nenhum, vê jogador incentivando, treinador incentivando, torcedor incentivando, é entrevista pedindo pra apoiar o jogador em campo. É isso que funciona, ao menos nos times que eu joguei, nos campeonatos que eu joguei”, disse.
“Quando eu comecei a jogar no Bahia, realmente teve críticas, porque era um período que a gente perdia muito. Então, nas partidas, algumas partidas que eu joguei, acabaram me crucificando, vamos dizer assim. E tipo, eu acho que isso, por um lado é ruim, você sente o pouco, porque é ser humano. Você tem coração, você tem sentimento, você sente. Só que pelo outro lado, você pega aquelas pedras que te atiraram e constrói a sua carreira, a sua vida, você cresce com aquilo, entendeu? E de verdade, aquilo ali, até agradeço com as críticas que eu recebi no passado, mas aquilo me fortaleceu pra ser o Becão que eu sou hoje”.
“Diferente das críticas que eu recebi no passado, na minha saída daqui, até porque eu joguei pouco tempo no Bahia. Foi muito curto, foi tudo muito rápido, eu joguei pouco, acabei saindo. Hoje, de verdade, das pessoas que falam comigo, de entrevistas que eu vejo, isso é gratificante, quer dizer que meu trabalho vem vem sendo visto com bons olhos. A maioria da torcida quando fala é de retorno e tipo chega a ser engraçado, talvez esse cara me xingou atrás, mas é futebol, às vezes me pergunta se tem mágoa, não tenho de nada mesmo, de coração, mágoa nenhuma, pelo contrário, só levei isso comigo, me fortalecer, cresci”.

