O Corinthians entrou com uma ação contra o Esporte Clube Bahia na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) por conta do jovem Kauê Furquim, de 16 anos, que deixou o clube paulista e se transferiu para o tricolor baiano através do pagamento da multa rescisória no valor de R$ 14 milhões.
No documento enviado ao CNRD, o Corinthians volta a acusar o Bahia de aliciamento ilícito e pede ao órgão fiscalizador da CBF que tome medidas de caráter “condenatório” e “sancionatório”. O Timão alega alega que o conglomerado “utilizou” o Bahia como um “intermediador de negócios”, pagando o valor estipulado da multa nacional, referente a no máximo 2 mil vezes o salário do atleta.
O Corinthians considera que é como se Manchester City tivesse pago o valor alusivo ao mercado nacional, sendo que o valor da multa para o exterior era de 50 milhões de euros (aproximadamente R$ 315 milhões na cotação atual). Vale frisar que o jogador foi registrado como jogador do Bahia, e ainda se quisesse, nem poderia ser repassado ao Manchester City por conta da idade.
No ofício, o Corinthians cita o esvaziamento do direito de preferência do clube, previsto no parágrafo 8º do artigo 29 da Lei Pelé (Lei 9.615/98) e também no parágrafo 8º do artigo 99 da Lei Geral do Esporte (Lei 14.597/23) por suposta culpa do Bahia, de acordo com a ESPN. O Bahia ainda não foi notificado pela CNRD.
O clube também apontou o descumprimento do Regulamento Nacional de Registro e Transferência de Atletas de Futebol (RNRTAF) e dos regulamentos da FIFA por parte do Bahia, sobretudo no artigo 25 do RNRTAF e nos parágrafos 4º e 5º do artigo 17 do Regulamento do Status e Transferências de Jogadores (RSTP) da entidade internacional.
O clube paulista entende que o Bahia deve sofrer algumas medidas e solicita ao CNRD:
Pagamento indenizatório ao Timão de um valor equivalente a 200 vezes o salário mensal da proposta ofertada pelo Tricolor de Aço a Kauê;
Aplicação de sanções previstas no artigo 56 do regulamento do órgão, por “ter aliciado o atleta e mantido com ele negociações enquanto ainda vinculado ao Corinthians”, incluindo sanções ao jogador por atentado “contra a estabilidade contratual e condutas contrárias aos regulamentos vigentes da FIFA e CBF”;
Sentença de “cunho declaratório”, reconhecendo o direito do clube em exigir do Bahia o pagamento da multa rescisória internacional caso Kauê seja transferido para qualquer equipe do Grupo City após completar 18 anos;
Apresentação pelo Bahia e por Kauê Furquim de toda a documentação registrada de comunicação entre as partes, ou através de seus representantes legais e/ou contratuais (intermediários), incluindo propostas, mensagens de texto, e-mails e áudios.

