A principal notícia da semana no meio do futebol foi o chapéu que o Bahia aplicou no Corinthians, contratando o jovem Kauê Furquim, de apenas 16 anos, tratado como principal joia da base do Timão. O Esquadrão pagou a multa rescisória de R$ 14 milhões prevista no contrato e tirou o jogador do clube paulista.
Kauê assinou o primeiro contra profissional em abril deste ano e tinha multa rescisória para clubes estrangeiros em 50 milhões de euros (R$ 331 milhões na cotação do dia). Já a multa para o futebol brasileiro era de 2.000 vezes o valor do salário. Como ele recebia R$ 7 mil por mês, a multa era de R$ 14 milhões.
O Corinthians chegou a conversar com o empresário para renovar o contrato do jogador e dobrar o salário para R$ 14 mil, porém, antes disso, o Bahia entrou na jogada e pagou a multa, pegando o time paulista de surpresa. No Tricolor, ele deve receber um salário de R$ 42 mil, ou seja, com uma multa de R$ 84 milhões para o mercado nacional.
Kauê vinha treinando com o elenco profissional no CT Joaquim Grava e chegou até a ficar no banco de reservas nos jogos contra o Ceará e Fortaleza, ambos pelo Campeonato Brasileiro. Inicialmente, ele deve reforçar o time sub-20 do Bahia, mas pode figurar no elenco principal em breve.
O Corinthians tem razão na reclamação?
Após ser informado que Kauê estava a caminho do Bahia, o Corinthians divulgou uma nota criticando a postura do clube baiano, acusando de aliciamento ilícito e ameaçando recorrer à CBF e à FIFA. O clube paulista alega que a compra foi feita por um grupo internacional com rede multi-clubes, que é o Grupo City, e vai cobrar que seja pago o valor de R$ 331 milhões.
No entanto, se a compra foi feita com o CNPJ do Bahia, não teria lógica pagar a multa internacional. Além disso, um jogador de 16 anos nem pode se transferir para o futebol europeu, apenas quando completa 18 anos, mais um fato que “mata” qualquer argumento corintiano.
Quando o Corinthians assinou o primeiro contrato profissional com Kauê, que já era tratado como uma joia na base, comeu “mosca” ao deixar o salário muito baixo, não para um jogador sub-17, mas por de tratar de um atleta promissor. O clube paulista alega assédio do Bahia, no entanto, tudo foi feito dentro do que determina a Lei Pelé. O curioso é que no início do ano, o Corinthians foi penalizado após denúncia do Palmeiras por ter entrado em contato com um jogador de 14 anos que pertencia ao Palmeiras.
Como o Bahia resolveu pagar a multa rescisória, não era obrigado a entrar em contato com o Corinthians, apenas com o jogador, e ele aceitando a proposta salarial, bastava depositar os R$ 14 milhões na conta do time paulista. Caso o Esquadrão quisesse pagar um valor menor do que a multa, aí sim teria que entrar em contato para negociar. Portanto, não existiu irregularidade, e o choro do Corinthians é apenas para maquiar sua incompetência.

