Em entrevista ao Globo Esporte, o diretor de futebol Gustavo Vieira também fez um balanço de seu trabalho no Esporte Clube Vitória em 2025. Com contrato encerrando no dia 31, o dirigente pontuou a dificuldade em trazer reforços no meio do ano e celebrou a permanência na Série A, mesmo trazendo vários jogadores a custo zero.
“Dada as dificuldades, fizemos um mercado que entregou resultados a custo zero. Não houve um real investido no meio do ano, e mesmo assim conseguimos colocar quatro ou cinco titulares dos onze que jogam. Sobre os jogadores estrangeiros, volto também ao desafio daquele momento, com o mercado brasileiro muito limitado já na 14ª rodada, com os principais jogadores impedidos de mudar de equipe pelo regulamento. Então tivemos que ser criativos. Nossa criatividade foi buscar o mercado internacional. Trouxemos jogadores da América do Sul e da Europa, principalmente Espanha e Portugal, para manter uma aproximação cultural”.
Além da reformulação no elenco, Gustavo Vieira trabalhou com quatro treinadores no pouco tempo de clube: Thiago Carpini, Fábio Carille, Rodrigo Chagas e Jair Ventura. “Claro que a gente não troca treinador porque quer. Não é pela vontade de trocar, sempre há motivos pelas avaliações internas e resultados em campo. A gente viveu um momento que motivou a saída de Carille, e a gente precisava de uma atmosfera diferente. Rodrigo Chagas atendeu ao chamado emergencial, entregou um bom resultado contra o Atlético-MG. O trabalho dele se mostrou promissor, e aquilo gerou uma oportunidade para continuar. Na medida que o trabalho engasgou um pouco, tivemos uma ação rápida para trazer o Jair Ventura. Jair já estava em nosso olhar desde antes dessa situação”, garante Gustavo Vieira.
Sobre a contratação de Romarinho, que não rendeu o esperado, o diretor explicou que foi uma indicação de Fábio Carille. “Acredito que o bom gestor é aquele que potencializa os movimentos positivos e reduz os negativos. Esses dois movimentos sempre vão estar presentes. Se a gente potencializar os bons movimentos, excelente. E reduzir os movimentos ruins também é positivo. A chegada de Romarinho coincidiu com a chegada de Fábio Carille. É normal que os treinadores cheguem e queiram colocar suas demandas, e o Romarinho foi uma colocação de Fábio Carille. O clube ficou um pouco reticente, mas é comum entrar nessas tratativas. Raminho chegou muito influenciado por Carille, e a partir da saída de Carille, fomos muito rápidos para entender qual era o caminho de Romarinho. Em resumo, foi uma iniciativa organizada junto com Carille, e à medida que Carille não estava mais aqui, resolvemos o mais rápido possível, e com menos trauma possível”.
Gustavo também analisou a passagem decepcionante de Fábio Carille, que ficou marcada pelo 8 a 0 sofrido para o Flamengo. “Difícil falar em erro. Eu tinha acabado de chegar ao clube, minha capacidade pessoal de influência em uma decisão tão importante era um pouco menos. Eu estava ganhando espaço e confiança para ter argumentos bem avaliados. Não vejo como erro. Foi um movimento necessário. A gente esperava um resultado, não aconteceu, e fizemos um novo movimento. Carille teve oportunidade, não entregou o esperado, e aí veio Rodrigo Chagas, e depois o Jair. Eu tinha trabalhado com o Jair no Santos e sabia da capacidade dele colocar suas características. Com ele, o Vitória voltou a ser o Vitória que eu conhecia fora desses muros, que é um time forte e conectado com a torcida”.

