Com 67 anos e passagens por 35 clubes, Hélio dos Anjos é o técnico mais velho em atividade nas três principais divisões nacionais em 2025. Em entrevista, o experiente treinador fez um forte desabado sobre o desaparecimento de profissionais antigos, como Vanderlei Luxemburgo, Oswaldo de Oliveira e Celso Roth, que são taxados como “ultrapassados”.
“Treinadores brasileiros sofrem de etarismo. Há ótimos profissionais que estão em casa há um ou dois anos: Vanderlei Luxemburgo, Oswaldo de Oliveira, Celso Roth… porque foram rotulados como ultrapassados por sugestão de uma elite da imprensa. Todos esses têm muito mais a oferecer para o futebol brasileiro do que eu e estão fora do mercado”, desabafa.
“Os clubes da Série C que me procuram sabem que meu valor é alto. Não me desvalorizo. Meus números são esses. Sinceramente, têm treinadores da Série A que não ganham o que eu ganho. Se tiver que ficar em casa, eu fico. Mas meus números estão aí.”
Hélio dos Anjos lembrou que foi vetado em um clube que disputou a Série A neste ano, mesmo tendo sido campeão em passagens anteriores: “Citaram o meu nome e o presidente falou que eu estava totalmente superado. O time foi rebaixado e eu subi o Náutico. Será mesmo?”, questiona.
Ele acredita que essa mudança começou após o 7 a 1 sofrido pela Seleção Brasileira para a Alemanha, sob o comando de Luiz Felipe Scolari. “Aquele resultado minou com quase todos os treinadores brasileiros que estavam naquela faixa etária do Felipão, tachados como superados, que não têm estudo ou sem conhecimento”, pontua.
Hélio dos Anjos chama a invasão de técnicos gringos no Brasil como “modismo”. “O modismo levou os clubes a errarem muito. O [português] Pepa chegou ao Brasil sem nunca ter dirigido um clube de massa. O [Jorge] Sampaoli treinou três times de massa no Brasil, mas ganhou o quê? Se um brasileiro fizesse o que o [Luis] Zubeldía fez no São Paulo ficaria o tempo que ele ficou no clube?”, completa.
“Os treinadores mais jovens deixaram esvaziar o comando. Não conheço um executivo que cuida da disciplina. Hoje, o fisiologista decide quem um treinador vai escalar. Ele pode até me trazer informações, mas não decide. Isso os mais velhos não aceitam. Eu tenho mais de 20 profissionais que trabalham diretamente comigo no Náutico, mas a decisão é minha.”
Apesar de criticar a insistência de clubes com técnicos estrangeiros, Hélio reconhece o bom trabalho de alguns gringos, como Abel Ferreira. “Quem ficou [dos estrangeiros] foi por competência. O Abel está aí porque deu retorno, mas agora vai ficar só quem dá resultados”.

