Palmeiras já recusou mais de meio bilhão por crias da Academia nesta temporada




Palmeiras já recusou mais de meio bilhão por crias da Academia nesta temporada

Alviverde resiste às investidas do mercado e aposta no retorno esportivo das suas principais joias.

Palmeiras já recusou mais de meio bilhão por crias da Academia nesta temporada
Foto Heittor - Cesar Greco - Palmeiras - by Canon

Com o intuito de ter um grupo ainda mais forte dentro de campo e garantir um grande título nesta temporada, o Palmeiras recusou mais de R$ 508 milhões pelas crias da Academia. Alan, Heittor, Eduardo Conceição e Erick Belé tiverem propostas para se transferirem para o exterior recusadas pela diretoria alviverde, que, nesse momento, prioriza o retorno esportivo ao financeiro.

Uma das principais especialidades do técnico Abel Ferreira tem sido trabalhar com os jovens talentos alviverdes. Até agora, foram 49 crias da Academia que atuaram sob o comando do português, reflexo do espaço que ele tem dado para a base. Além disso, o treinador tem os aproveitado até o limite, vide os casos de Endrick, Vitor Reis e Estevão que só deixaram o time, após a conclusão de suas transferências.

Dessa nova leva de atletas, quem mais tem tido oportunidades e impressionado a comissão técnica palmeirense tem sido Alan, de 22 anos, que tem se revezado entre titular e reserva. Por ele, o Palmeiras recusou uma oferta no início do ano de R$ 218,7 milhões fixos do Napoli, da Itália, com mais R$ 31,2 milhões em bônus por metas. E nos últimos dias, rejeitou mais uma investida europeia, dessa vez, de R$ 146,3 milhões, com mais R$ 29,2 milhões em gatilhos de bônus garantidos do Aston Villa, da Inglaterra. No entanto, pelo jogador, o clube só está disposto a ouvir propostas acima de 40 milhões de euros fixos (R$ 232,5 milhões aproximadamente).

Eduardo Conceição, sem dúvida, é tratado como a maior Joia palmeirense pós Estevão. O jovem de 16 anos, mostrou suas credenciais na Copinha deste ano e aos poucos tem sido inserido ao elenco profissional. De acordo com o diretor da base alviverde, João Paulo Sampaio, o clube recebeu e recusou prontamente propostas de R$ 150 milhões pelo atacante (fora as bonificações por metas) vindas de clubes da Premier League. O Palmeiras espera arrecadar com o atleta 50 milhões de euros (cerca de R$ 293 milhões na cotação atual).

Com suas primeiras chances na equipe principal, após o retorno do Campeonato Brasileiro e o espaço deixado pela saída por empréstimo do atacante Luighi para o New York City, o centroavante Heittor, de 18 anos, é mais um jogador da base no radar dos europeus. O jovem tem agradado o técnico Abel Ferreira nos treinos, fazendo com que o clube rejeitasse uma proposta de R$ 116,82 milhões fixos e quase R$ 30 milhões de bônus do City Football Group (Grupo City). A jovem cria alviverde tem multa rescisória fixada em 100 milhões de euros (cerca de R$ 584,11 milhões).

“O Palmeiras atingiu um patamar de saúde financeira que lhe permite priorizar o projeto esportivo em detrimento da necessidade de caixa imediata. O clube redefiniu sua gestão ao entender que o valor gerado em campo por essas joias frequentemente supera o ganho financeiro de uma venda precoce. É evidente que as negociações acontecerão no momento certo, mas, até lá, o Palmeiras extrai o rendimento esportivo máximo de uma geração excepcional antes de capitalizá-la no mercado”, afirma Claudio Fiorito, CEO da P&P Sport Management, empresa responsável pela gestão de carreira do zagueiro Vitor Reis.

Além de transferências em definitivo, o Alviverde também tem rejeitado algumas ofertas de empréstimo por suas Crias. A mais recente foi de Erick Belé, de 19 anos, que recebeu uma proposta de empréstimo de uma temporada do Parma, da Itália, por R$ 23 milhões e que logo foi descartada.

Como fica a cabeça dos atletas com as propostas recusadas?

Se o Clube trata com naturalidade declinar essas propostas, os jovens atletas podem ficar balançados já que muitos deles carregam o sonho de um dia atuarem no futebol europeu. Para a psicóloga esportiva do Inter de Minas, Priscila Mendes, a chegada dessas ofertas, prontamente recusadas pelo clube, podem vir a atrapalhar o rendimento deles em campo.

“Do ponto de vista psicológico, o que esse garoto vive é uma quebra abrupta de expectativa. Na cabeça dele, ele já estava lá: já se via no aeroporto, no novo estádio, realizando o sonho que muitas vezes começou na infância e que carrega junto o projeto de toda uma família. Quando a transferência não acontece por uma decisão que não passou por ele, existe um elemento agravante, que é a perda do senso de controle sobre a própria vida. Os efeitos possíveis variam muito de acordo com a estrutura emocional do atleta, o suporte que ele recebe e a forma como o clube conduz a situação.

No curto prazo, é comum observarmos queda de motivação, ruminação mental, dificuldade de concentração nos treinos, irritabilidade e até sintomas de ansiedade. Alguns atletas desenvolvem um sentimento de desconfiança em relação ao clube, do tipo “eles pensaram no negócio, não em mim”, o que pode contaminar o vínculo e o rendimento. Há também o risco de o jovem passar a jogar “para provar algo”, entrando em campo com uma carga emocional que atrapalha em vez de ajudar. E existe um efeito mais sutil, que é o medo de que aquela tenha sido a única janela, o pensamento de que “o trem passou e não vai voltar”, o que é muito angustiante para um adolescente que ainda não tem repertório de vida para relativizar”, garante a especialista.

Para evitar maiores consequências, após a recusa do clube a esse tipo de oferta, segundo a psicóloga Priscila Mendes é necessário que a agremiação acolha o jogador, tenha uma comunicação transparente explicando os motivos da decisão e expondo os planos que tem para o jovem, além de ajudá-lo a ressignificar a situação deslocando o foco daquilo que ele não controla, como a negociação entre clubes, para aquilo que ele controla, que é o treino, o desempenho e a evolução dele. Se esse processo for bem conduzido, com psicólogo, família e clube alinhados, o episódio pode inclusive fortalecer a maturidade emocional do atleta. Se for negligenciado, pode virar a semente de um desgaste que aparece meses depois, em forma de queda de rendimento ou de conflito.

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Fellipe Amaral

Administrador e colunista do site Futebol Baiano. Contato: futebolbahiano2007@gmail.com



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