Quando comecei a escrever sobre o Bahia para o Futebol Bahiano, meu time tinha tido a melhor notícia em uma década. Havia acabado de subir para a Série A e iríamos começar o Brasileirão. Meu texto no site, na verdade, nem era sobre o Bahia. Foi um texto que escrevi para o Observatório da Imprensa, e Dalmo Carrera reproduziu. Era uma crítica à crônica esportiva baiana. E lá se vão 15 anos. Mas, de lá pra cá, a coisa piorou. E muito.
A crônica esportiva foi invadida por um bando de gente que ligou a câmera e começou a dar suas opiniões. E isso é ótimo. Mas é péssimo.
Porque, como escreveu Schlesinger “cada um tem direito à sua própria opinião, mas não aos seus próprios fatos.”
E, desde então, vi um surto coletivo gigantesco se formar na bolha tricolor.
A torcida do Bahia, nas redes, ficou insuportável. E quem se arrisca a dizer isso é brutalmente “cancelado” e considerado puxa-saco de Ceni e torcedor do Grupo City, a queimar no fogo do inferno.
Meus amigos, na moral. Vamos tomar um choque de realidade.
O Bahia saiu da Libertadores e da Copa do Brasil. Dois vexames. Mas passou. Superem.
Ceni não vai cair. Nem Santoro. E não é porque estou dizendo ou porque eu quero. E sim, porque com o 10º maior orçamento do Campeonato, eles estão em 6º lugar.
O Bahia não vai ser campeão brasileiro, tá? Todos na mesma página? Massa.
Dito isso, o que vem agora?
Vamos lutar pela Libertadores.
Justo e obrigatório! O que faltaria hoje para isso acontecer? Três pontos. Ou seja: se tivesse vencido Vasco e Chapecoense, estaríamos na frente do Cruzeiro.
Eu sei. E fiquei puto como vocês pelos empates pífios contra times da parte de baixo da tabela. Nos próximos quatro jogos, teremos mais três da mesma zona de fuga do Z4. O ex-rival. O Internacional, porteiro da zona. E depois do Red Bull, o Remo, que está engasgado na nossa garganta.
E agora é a hora de reagir!
O Bahia está em 6º, a segunda melhor colocação do clube na história dos pontos corridos. Mas, se você navega pelas redes sociais, parece que estamos indo para o jogo contra o Fast, em busca da heroica classificação para as oitavas de final da Série C.
A péssima sequência sem triunfos, obviamente, é ruim. Mas, mesmo assim, ainda estamos na briga pelo objetivo do ano.
Se dá para ficar pirado por não estar vencendo, dá para se manter confiante na vaga também.
Não está tudo errado. É só, como diz o meme, BOTA A TABELA!
Não estamos fazendo contas de quantos triunfos faltam para não cair. Só o maluco do Muriça lá do baba.
O momento é outro. A luta é outra. E já vencemos tantas lutas com esse Bahia.
Mas eram tempos sem ragebait.
Éramos felizes lutando para não cair todo ano. Desesperados com as bolinhas da Globo anunciando gol na casa da porra, que poderia salvar nosso time na última rodada.
A gente cantava “vamos seguir, Esquadrão!”, sem se preocupar, todo jogo, em lascar o pobre bicho do lixão.
Notem como eles estão felizes porque se afastaram do Z4 nessa última rodada.
E a gente querendo derrubar o diretor de futebol, em 6º. Parece que a briga contra o rebaixamento dá mais adrenalina que luta pela Libertadores.
Hoje, um doido disse que Ceni e Paiva eram a mesma coisa. Ou seja, a portaria do Z4 que o portuga nos deixou é a mesma coisa da portaria do G5.
Que surto é esse, bicho?
Mas era só um desabafo mesmo, mas se liguem. Seu Umberto dizia: “a internet deu voz a uma legião de imbecis”, porém você não precisa dar ouvidos a todos eles. BBMP!

