A Justiça decidiu manter presos os seis suspeitos detidos após a morte de José Alexandre Souza Borges, membro de uma torcida organizada do Bahia, em um episódio de violência registrado horas antes do Ba-Vi 508, disputado no último domingo (23), no Barradão, em Salvador.
A decisão foi tomada nesta terça-feira (25), após audiência de custódia realizada no Fórum Criminal de Sussuarana. Os investigados estavam presos desde o dia do crime e tiveram a prisão em flagrante convertida em preventiva.
Na decisão, o juiz Horácio Moraes Pinheiro apontou a existência de elementos que justificariam a manutenção da prisão. Segundo a análise apresentada no documento, o episódio não teria sido resultado de um confronto ocasional, mas de uma ação planejada.
De acordo com a decisão, os suspeitos teriam utilizado dois veículos para bloquear a passagem das vítimas e, em seguida, cercado o grupo em vantagem numérica. O magistrado também levou em consideração os elementos reunidos durante a investigação.
O laudo cadavérico de José Alexandre Souza Borges apontou nove perfurações provocadas por arma branca, sendo seis nas costas e três na cabeça. O documento também registrou um afundamento na região frontal do crânio.
Os seis homens foram autuados por homicídio qualificado, tentativa de homicídio contra outras quatro pessoas, posse de artefato explosivo e promoção de tumulto. Durante a prisão, segundo as informações da investigação, foram apreendidas facas, soqueiras, foguetes e artefatos explosivos artesanais. Alguns dos detidos também apresentavam aparentes vestígios de sangue nas roupas.
Os investigados foram encaminhados ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Eles foram identificados como Caíque Santos Chaves, Guilherme Maia da Luz, Marcos Vinicius Costa Magalhães, Nethon Oliveira dos Santos, Sérgio Gabriel Reis dos Santos e Tiago Franco Barbosa Lima Silva.
A defesa de Caíque Santos Chaves contestou a acusação e afirmou que o investigado nega ter praticado qualquer ato de violência ou participado do homicídio.
Segundo os advogados, a fuga de Caíque diante do cenário de violência seria uma reação de autoproteção e não representaria envolvimento no assassinato. A defesa sustenta que ele não participou do crime.
Imagens que circulam nas redes sociais registraram parte do episódio ocorrido na Via Regional, em Salvador. O vídeo mostra um torcedor sendo cercado por integrantes de uma torcida organizada antes de ser agredido.
José Alexandre era integrante de uma torcida organizada ligada ao Bahia. O caso aconteceu poucas horas antes do clássico entre Bahia e Vitória pelo Campeonato Brasileiro.
Após os episódios de violência registrados na capital baiana, o secretário estadual da Segurança Pública, Marcelo Werner Derschum Filho, criticou a atuação de grupos de torcedores organizados e defendeu uma reavaliação sobre a existência dessas organizações.
O secretário também destacou a atuação das forças de segurança durante os confrontos e informou que 64 pessoas foram presas após os episódios de violência registrados no domingo.
A polícia também apura a morte de Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, outro torcedor do Bahia. Ele foi assassinado a tiros no bairro de Castelo Branco, em Salvador.
Até o momento, porém, as autoridades não confirmaram qualquer relação entre esse homicídio e os conflitos envolvendo torcidas organizadas ocorridos antes do Ba-Vi. O caso também está sob investigação do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Nota da defesa do suspeito Caíque Santos Chaves:
“NOTA À IMPRENSA
A defesa de Caique Santos Chaves esclarece que ele nega veementemente a prática de qualquer ato de violência, bem como qualquer participação no homicídio investigado.
O fato de Caique integrar uma caminhada em direção ao estádio, juntamente com integrantes de uma torcida organizada, não o transforma em autor dos atos praticados por terceiros. Da mesma forma, fugir de um cenário de tumulto, correria e disparos de arma de fogo constitui reação compatível com a busca por proteção e não faz dele um homicida.
A defesa confia no devido processo legal e na presunção de inocência e está convicta de que, no decorrer da ação penal, com a necessária individualização das condutas e produção das provas, restará demonstrada a inocência de Caique Santos Chaves.
Elder Costa Santos
Advogado – OAB/BA 57.212″




