O Esporte Clube Vitória pretende ampliar a pressão sobre o Grêmio para receber os valores que ainda estão em aberto pela negociação do zagueiro Wagner Leonardo. O clube baiano já estuda recorrer a um novo mecanismo de resolução de conflitos financeiros entre equipes e deve levar o caso à Agência Nacional de Fair Play Financeiro.
A iniciativa, no entanto, ainda terá de esperar alguns meses. Isso porque a nova Agência, neste momento, está concentrada na análise de processos referentes ao ano de 2026. O Vitória só poderá apresentar a reclamação a partir de 1º de novembro.
Até lá, o Rubro-Negro continuará utilizando a Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD) para tentar solucionar a pendência com o clube gaúcho. A intenção de buscar também a Agência está ligada à possibilidade de conseguir uma resposta em um prazo menor.
Um dos principais motivos para o Vitória recorrer ao novo órgão é justamente a demora dos processos na CNRD. As disputas financeiras analisadas pela Câmara podem levar anos até uma decisão definitiva, cenário que preocupa os clubes que possuem valores a receber.
A Agência Nacional de Fair Play Financeiro surge como uma alternativa para tornar esse tipo de processo mais rápido e dar maior efetividade às cobranças.
O órgão já começou a analisar casos e aplicou uma de suas primeiras decisões envolvendo São Paulo e Novorizontino. O clube paulista foi condenado ao pagamento de R$ 1,1 milhão por uma dívida relacionada à contratação do atacante Djhordney.
Além da obrigação financeira, o descumprimento de uma decisão da Agência pode provocar consequências esportivas. Entre as punições previstas está o transfer ban, que impede o clube de registrar novos jogadores.
A pendência do Grêmio com o Vitória ganhou um peso ainda maior porque o atraso no pagamento acabou desencadeando outro problema para o clube baiano. O Grêmio não efetuou os repasses previstos ao Vitória pela contratação de Wagner Leonardo. Como consequência, o Rubro-Negro não conseguiu cumprir, dentro do prazo, o compromisso financeiro que tinha com o Portimonense. A situação chegou à FIFA e resultou em um transfer ban contra o Vitória.
Para resolver o problema e voltar a ficar regularizado, o clube baiano precisou pagar 394 mil euros ao Portimonense. O valor da dívida chegou a cerca de 451 mil euros com a incidência de juros, mas o clube português concordou em abrir mão dos encargos para viabilizar o acordo.
Com isso, o Vitória entende que o prejuízo provocado pela inadimplência do Grêmio não se limita aos valores previstos originalmente na negociação de Wagner Leonardo.
Além do dinheiro que ainda espera receber do Grêmio, o Vitória pretende cobrar também os gastos que teve para solucionar a pendência com o Portimonense e os custos relacionados ao episódio. A estratégia será manter o processo já aberto na CNRD e, quando o novo mecanismo estiver disponível para o caso, apresentar também a reclamação à Agência Nacional de Fair Play Financeiro.




