A passagem de Flávio pelo Bahia ficou marcada por boas atuações, dois títulos do Campeoanto Baiano e um gesto contra a homofobia no futebol. A partir de uma ação do clube, o jogador adotou a camisa 24, número normalmente ignorado pelo atletas por estar associado a homossexualidade.
“Eu lembro que começou um burburinho no grupo durante os treinos porque teria uma ação de marketing do Bahia e queriam selecionar um jogador para usar o número 24. Eu fiquei na minha, acho que dois ou três jogadores recusaram usar, aí o Diego Cerri [diretor de futebol do Bahia na época] me perguntou. Inicialmente seria ação só para um jogo, e eu falei que não tinha problema, que usaria de boa. E assim foi feito”, conta Flávio.
“Eu fui muito bem no jogo e adotei o número, passei a usar ele. Perguntei para a direção se teria algum problema, eles falaram que não, aí fiquei usando. Usei na Turquia, no começo aqui da Arábia também. Hoje eu uso o oito, dei uma trocada de número, mas usei por um bom tempo o 24, não tenho nada contra o número. Se for para usar novamente, usaria sem problema algum, pelo contrário, tenho muito orgulho de ter usado e marcado meu nome no Bahia com ela”.
O número 24 no uniforme colocou Flávio como alvo de piadas e provocações, mas ajudou o jogador em um processo de amadurecimento que ganhou novos capítulos anos depois, quando ele foi jogar no Oriente Médico e precisou lidar com outros preconceitos, desta vez longe de casa e da família.
“Infelizmente no futebol a gente vive em um meio que é machista. Essa é a verdade. Do grupo, ninguém (fez piada), era mais os meus amigos, torcedores rivais que vinham com gracinha, jogando indireta na internet. Mas isso entrava por um ouvido e saia pelo outro. Como eu falei, não me arrependo e usaria sem problema algum”, completa o jogador.



