Um dia após a eliminação do Vitória na Copa do Brasil, o presidente Fábio Mota veio a público para explicar o momento vivido pelo clube e rebater especulações sobre possíveis problemas dentro do elenco. Em entrevista nesta sexta-feira (4), o dirigente descartou qualquer falta de comprometimento dos jogadores e afirmou que o principal problema enfrentado atualmente pelo time é físico.
Segundo Fábio Mota, não existe atraso salarial ou conflito interno entre os atletas. O presidente também afirmou que o elenco mantém um bom relacionamento e atribuiu a queda de rendimento ao calendário intenso, ao número reduzido de jogadores e às diversas lesões que atingiram a equipe.
“Não tem corpo mole de atleta, não tem salário atrasado, não tem laranja podre dentro do elenco. Temos um elenco trabalhador, com diálogo muito bom. O problema não é dinheiro. Nosso time está cansado, disputamos quatro competições, e temos apenas 30 atletas. É um elenco pequeno”, iniciou.
O dirigente destacou ainda a quantidade de jogadores importantes que estão fora de combate. Camutanga, Edu e Dudu foram citados como desfalques que fazem falta à equipe, enquanto Nathan Mendes também ficou afastado. Para os próximos compromissos, o Vitória ainda pode ter problemas com Baralhas, Martínez e Ramon.
“Tivemos muitos jogadores machucados, Camutanga, Edu e Dudu fazem muita falta. Perdemos Nathan depois, agora estamos sem Baralhas, Martínez e Ramon provavelmente. Infelizmente no nosso orçamento não cabe ter 60 jogadores do mesmo nível. Neste momento estamos cansados e cheios de lesões, mas precisamos da torcida. Já tivemos momentos piores”, afirmou Fábio Mota.
A derrota para o Vasco aumentou a pressão sobre o Vitória. Durante e após a partida, a equipe foi alvo de vaias da torcida. Fábio Mota afirmou compreender a insatisfação dos torcedores, mas pediu paciência diante do atual cenário.
O presidente também revelou que Matheuzinho vem atuando no sacrifício e voltou a negar que exista qualquer crise interna no elenco.
“Eu entendo as vaias da torcida, mas vamos ter paciência, o time está cansado. Matheuzinho está jogando no sacrifício. Querem fazer tumulto, bagunçar o ambiente, mas nosso ambiente está ótimo”, declarou.
Apesar da eliminação na Copa do Brasil e da sequência recente de resultados negativos, Fábio Mota garantiu que o planejamento estabelecido pela diretoria para a temporada continua de pé.
O presidente lembrou que o Vitória já conquistou a Copa do Nordeste e destacou que o principal objetivo no Campeonato Brasileiro é buscar uma vaga em competição internacional. Atualmente, segundo ele, o clube está próximo da zona de classificação para a Copa Sul-Americana.
“Nosso planejamento está 100% mantido. O plano era ganhar a Copa do Nordeste, que ganhamos, e disputar a classificação para uma competição internacional. Estamos em 13º lugar, a três pontos da Sul-Americana. Perdemos o clássico, e as coisas deram errado. Ano passado ganhamos o Ba-Vi e mudamos nossa história, esse ano perdemos”, lamentou.
Após a eliminação diante do Vasco, Jair Ventura deixou em aberto sua continuidade no Vitória e afirmou que a decisão caberia à diretoria. Nesta sexta-feira, porém, Fábio Mota e o diretor de futebol Sérgio Papellin confirmaram a permanência do treinador.
Papellin afirmou que, caso o elenco tivesse perdido a confiança no comandante, a diretoria já teria tomado a decisão de trocar o técnico. Para o dirigente, o grupo ainda demonstra respeito pelo trabalho de Jair.
“Se não tivesse confiança nele a gente já tinha trocado de treinador. Você vê quando um grupo não aceita mais o treinador, mas hoje a gente não tem isso aqui no Vitória. O grupo respeita muito o treinador”, afirmou Papellin.
O dirigente, no entanto, reconheceu que o futebol é movido por resultados e deixou claro que a situação poderá ser reavaliada no futuro.
“Mas futebol é assim, só tem um bom ambiente quando o time está ganhando. Então temos que ter muito equilíbrio. Futebol é momento. No momento o Jair tem toda nossa confiança. Se depois precisar trocar, vamos trocar. A gente pensa no Vitória”, completou.
Ao encerrar sua manifestação, Fábio Mota reforçou que a intenção da diretoria foi esclarecer que não existe divisão dentro do elenco ou qualquer problema relacionado ao ambiente de trabalho.
“Estamos aqui para justificar os acontecimentos e prestigiar o treinador e o elenco. Quero mostrar que nossos problemas não são internos, de desunião. Nosso problema é físico”, garantiu.

