O técnico Jair Ventura, do Vitória, falou sobre a crescente pressão enfrentada por treinadores, jogadores e dirigentes no futebol, especialmente com o avanço das redes sociais e da internet. Para o comandante rubro-negro, a tendência é que a cobrança aumente cada vez mais, mas também existe o temor de que as manifestações ultrapassem os limites do futebol.
Jair afirmou que convive com a pressão desde que decidiu seguir a carreira de treinador e reconheceu que esse é um aspecto praticamente inevitável da profissão.
“Com a chegada da internet, a tendência é só que piora isso. A gente tem que saber conviver e lógico que a cobrança é assim. Mas eu entrei no futebol, fiz meu primeiro curso em 2005 para ser treinador e já sabendo disso. Eu nasci no meio do futebol, desde antes de eu nascer eu já era futebol por conta do meu pai e sabedor quando me tornei treinador que é assim que acontece”, declarou.
O treinador, porém, admitiu que gostaria de ver uma mudança nesse cenário, embora não acredite que a pressão sobre os profissionais deixe de existir.
“Eu quero que mude, mas se eu falar para você que vai mudar, eu sei que não vai mudar. Então a gente tem que saber conviver com isso, é a nossa vida”, acrescentou.
Jair também citou Palmeiras e Flamengo como exemplos de clubes que, pelo nível de investimento e pela cobrança por títulos, convivem constantemente com a pressão por resultados.
“O Palmeiras faz investimento para ganhar todos os anos todas as competições, assim como eles como o Flamengo. Então eles vão estar sempre pressionados quando perder um jogo, uma classificação. Eu acho que a tendência é piorar”, afirmou.
Na sequência, o técnico do Vitória fez um alerta sobre a escalada das cobranças e relembrou uma declaração de Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, com quem trabalhou durante sua passagem pelo clube paulista.
“O Andrés foi meu presidente no Corinthians e ele falou que isso vai acabar indo em morte. Você vê o presidente do Ceará, recebeu bomba no colégio da filha ou na porta de casa, não lembro. A tendência é isso, a gente nos grandes cargos como atletas, presidente, treinador, estarem sempre pressionados”, disse.
Para Jair, o principal problema é quando a cobrança deixa de ser exclusivamente relacionada ao desempenho profissional e passa a atingir a vida pessoal dos envolvidos.
“E o meu medo é que possa acontecer uma coisa pior porque acho que ontem teve o desabafo também do treinador do Grêmio, porque não é só você escalar, errar na escalação ou mexer. Isso quando a gente perde é o treinador, todo mundo sabe, vai ser sempre. Só que agora está indo muito no pessoal”, concluiu.
A declaração de Jair Ventura ocorre em um momento de forte cobrança no futebol brasileiro, em que as redes sociais ampliaram a velocidade e o alcance das críticas. Para o treinador, a pressão por resultados faz parte da profissão, mas os ataques pessoais representam uma fronteira que não deveria ser ultrapassada.

