Por Erick Cerqueira
Nesse fim de semana me despedi de um tio Tiquinho, mas a Bahia se perdeu um dos grandes nomes da sua arbitragem.
Arnaldo Menezes Pinto Filho nos deixou aos 71 anos.
Para o futebol baiano, seu nome está marcado na história. Arnaldo foi o único árbitro baiano a atuar em uma Copa do Mundo. Em 1998, na França, esteve em quatro partidas como árbitro assistente:
França 3 x 0 África do Sul
Nigéria 1 x 0 Bulgária
Bélgica 0 x 0 Coreia do Sul
Croácia 1 x 0 Romênia, pelas oitavas de final.
Brincava com ele que era o único homem que conheci que correu atrás de Zidane.
Mas antes de chegar à Copa, houve uma longa caminhada. Tiquinho queria ser árbitro. Rápido, tecnicamente muito bom e estudioso, formou-se em Educação Física e começou a apitar o Campeonato Baiano no início dos anos 1980. Por causa do seu porte franzino, acabou deixando de ser árbitro central e passou a atuar como assistente.
E foi como assistente que fez história.
Integração ao quadro da CBF em 1989, FIFA em 1995, mais de 300 jogos, decisões de Campeonatos Estaduais, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro, Libertadores e Eliminatórias. Encerrou a carreira em 2000, na final da Copa João Havelange, entre Vasco e São Caetano.
No final do ano passado, ministrei uma aula de marketing pessoal para a Escola de Arbitragem Wilson Paim e fiz questão de contar a história dele para aqueles jovens que estavam começando na arbitragem.
Falei sobre o árbitro que ele queria ser, o assistente que se tornou e o caminho que o levou até uma Copa do Mundo.
Não sabia que, poucos meses depois, estaria escrevendo sobre sua partida.
Mas, para mim, Arnaldo nunca foi apenas o árbitro assistente da FIFA.
Era meu tio.
Era Tiquinho.
Era família, histórias, resenhas e também parceiro de baba.
A foto da capa é de 2006, quando ele apitou um baba em homenagem ao aniversário de meu pai. Uma imagem que hoje guarda muito mais do que uma partida. Guarda um pedaço da nossa história.
Arnaldo deixou seu nome na arbitragem nacional e, principalmente, na história da arbitragem baiana. E deixou em nós aquilo que nenhum currículo consegue registrar: as lembranças.
Meu filho ostenta no chaveiro, os cartões da FIFA em miniatura, que o tio Tiquinho, que trabalhou na Copa, o presenteou.
Que descanse em paz.
Minha solidariedade e meu abraço a toda a família, especialmente ao meu primo e parceiro de baba, Arnaldo Neto.
Valeu, Tiquinho.




