Um dia após o encerramento da janela de transferências do futebol brasileiro, o diretor de futebol do Bahia, Cadu Santoro, concedeu entrevista coletiva neste sábado (12), no CT Evaristo de Macedo, e detalhou algumas das principais decisões tomadas pelo clube no mercado.
Entre os assuntos mais comentados esteve a saída do zagueiro Ramos Mingo, negociado com o América, do México, por cerca de R$ 51 milhões. Titular da equipe comandada por Rogério Ceni, o defensor deixou o Esquadrão em uma negociação que, segundo Santoro, não agradou completamente à comissão técnica. O dirigente admitiu que a preferência era pela permanência do jogador e revelou que Rogério Ceni foi um dos mais incomodados com a negociação.
“Na operação de Ramos Mingo o meu sentimento é de que não queria perder o atleta, o Rogério é quem ficou mais chateado com a saída, porque ao tirar um atleta titular nenhum treinador fica feliz. Infelizmente temos que tomar decisões que muitas vezes não nos deixam felizes, mas precisamos pensar na saúde financeira do clube”, afirmou.
Apesar da perda de um dos principais jogadores do sistema defensivo, o Bahia optou por não buscar um substituto no mercado. A avaliação interna é de que o atual elenco possui alternativas capazes de suprir a ausência até o fim da temporada.
“Estávamos seguros de que não faríamos uma reposição de urgência por termos qualidade no elenco atual, jogadores que podem suprir até o final do ano e fazer uma nova avaliação. Por esses motivos, tomamos a decisão de aceitar essa oferta que mostra mais uma vez a valorização de um ativo que compramos por um valor e vendemos por um valor maior”, explicou.
Cadu Santoro também fez uma análise sobre o processo de montagem do elenco desde a chegada do Grupo City ao Bahia. Segundo o dirigente, o projeto passou por diferentes etapas desde 2023, temporada que foi tratada internamente como o “ano zero”.
“Quando chegamos aqui em 2023, que chamávamos de ‘ano zero’ do projeto, era um ano de manutenção de Série A. Sempre falamos isso de uma forma muito clara. Depois conseguimos alcançar esse objetivo, não foi como o esperado, mas conseguimos. Em 2024 fizemos uma janela bem agressiva no sentido de trazer atletas para que a gente pudesse dar um salto, e depois, naturalmente, você vai fazendo movimentos de tentativa de melhora de elenco”, relatou.
O diretor ainda rebateu a ideia de que o Bahia possui recursos ilimitados para realizar contratações. Santoro apresentou números para defender que o desempenho esportivo do clube tem sido superior à sua capacidade financeira em comparação com outros adversários da Série A.
“Tem algumas informações que eu enxergo como importantes, porque, infelizmente, se comunica algumas vezes que o dinheiro é infinito ou que a gente vai sair contratando independente do custo para poder atingir o objetivo em curtíssimo prazo. Hoje o Bahia possui a 14ª receita e a 12ª folha da Série A, considerando os números de 2025, e estamos há 59 rodadas no G-8. Acho que isso mostra que estamos performando acima da receita e da folha do clube”, destacou.
Para Cadu Santoro, o Bahia ainda precisa crescer financeiramente para se colocar de forma regular na disputa pelas primeiras posições do Campeonato Brasileiro. O dirigente reconheceu a importância dos investimentos do City Football Group, mas ressaltou também o trabalho realizado na montagem do elenco e pela comissão técnica de Rogério Ceni.
“Existe um salto grande para que a gente esteja em um outro bloco do campeonato, que é o grupo de quem briga no primeiro e segundo lugar de forma regular. Precisamos continuar crescendo o clube em termos de receita para que a gente chegue ali, e se estamos na situação atual, também é porque o CFG investe bastante. Caso contrário, seguramente estaríamos abaixo na tabela”, afirmou.
Santoro também aproveitou para defender o trabalho realizado pelo departamento de futebol e pela comissão técnica, especialmente após momentos de questionamentos durante oscilações da equipe.
“Isso mostra que, apesar de algumas críticas, existem acertos nas contratações e muito trabalho de uma comissão técnica competente que foi muito questionada em momentos de oscilação”, completou.
Por fim, o diretor de futebol destacou que o clube continuará atento ao mercado e disposto a realizar investimentos para qualificar o elenco. Como exemplo, citou a contratação de Alejo Véliz, uma das maiores negociações da última janela de transferências.
“É muito relativo o que é ser agressivo. Hoje nós temos a contratação do Alejo Véliz como a segunda ou terceira maior compra da janela do meio do ano. Acho que se olhar de forma regular, a gente vem fazendo movimentos. A gente vem investindo mais do que vendendo e isso vai continuar até que em algum momento se equilibre naturalmente”, disse.
Segundo Santoro, uma das prioridades futuras será promover o rejuvenescimento gradual do grupo, especialmente em casos de saídas por venda ou encerramento de contratos.
“O que posso dizer é que a gente vai continuar tentando sempre melhorar a equipe. No momento em que atletas saírem com uma certa idade, nosso foco vai ser sempre em tentar rejuvenescer o elenco e manter a equipe competitiva. Se tivermos saídas desses atletas em fim de contrato ou mesmo vendas, vamos estar atentos em tentar melhorar o time sempre”, finalizou.

