Revelado pelo Vitória, o meio-campista Flávio Medeiros não esconde o carinho pelo clube que o lançou ao futebol profissional, mas admite que a saída da equipe rubro-negra deixou marcas em sua trajetória. Anos depois, o jogador, que atualmente atua pelo Al-Faisaly FC, relembrou os bastidores de sua transferência para o Bahia e explicou como construiu uma relação de identificação com o rival.
Em entrevista, Flávio afirmou que ainda guarda uma mágoa pela maneira como foi comunicado de que não fazia mais parte dos planos do Vitória. Segundo o jogador, a decisão partiu da própria diretoria, mas sua ida para o Bahia acabou provocando críticas de parte da torcida rubro-negra.
O meio-campista contou que chegou a ser chamado de traidor e de Judas por aceitar a proposta do rival, embora, segundo ele, não tenha sido o responsável por decidir deixar o clube.
“Tenho muita gratidão pelo Vitória, mas ficou sim uma mágoa, acho que eles poderiam ter agido de outra forma comigo. Tive meu nome vinculado ao Bahia e fui crucificado por ir para o rival. Falaram de Judas, traidor, mas não foi eu que quis sair do Vitória. Um dia no treino o diretor da época chegou em mim e falou que o clube não contava mais comigo, que eu estava liberado para procurar outros clubes”, afirmou.
Flávio também relembrou o momento em que perdeu espaço no elenco rubro-negro, em 2016, após uma temporada de destaque na campanha que levou o Vitória de volta à Série A do Campeonato Brasileiro. Naquele período, o jogador foi eleito revelação do Campeonato Baiano, recebeu uma convocação para a Seleção Brasileira sub-20 e participou de 34 das 38 partidas da equipe na Série B.
Apesar dos números e da importância que havia conquistado no elenco, o meio-campista contou que a reformulação promovida pelo clube após o acesso acabou mudando seu cenário. De acordo com Flávio, a notícia de que não estava mais nos planos da comissão técnica foi recebida como um choque, principalmente pelo momento que vivia na carreira.
“Foi um baque muito grande, eu tinha um nome no Vitória, no meu primeiro ano fui eleito a revelação do Campeonato Baiano, tive uma convocação para seleção brasileira sub-20, subimos o time da Série B para a Série A. De 38 jogos, eu joguei 34, estava feliz, aí, em 2016, o Vitória praticamente trocou o elenco todo por causa da Primeira Divisão, acabei perdendo espaço”.
Após perder espaço no Vitória, Flávio foi emprestado à Ferroviária e, posteriormente, acertou com o Santo André. Foi durante sua passagem pelo clube paulista que surgiu a oportunidade de defender o Bahia. A proposta inicialmente gerou dúvidas no jogador, que temia como seria recebido pela torcida tricolor e pelos companheiros de equipe em razão de sua história no rival.
Mesmo com a desconfiança inicial, Flávio aceitou o desafio em 2018 e, na temporada seguinte, conquistou espaço no time titular. A passagem pelo Tricolor durou três temporadas e se tornou um dos períodos mais marcantes de sua carreira. O meio-campista afirmou que não se arrepende da escolha e destacou a transformação pessoal e profissional que viveu durante sua trajetória no clube.
“Não me arrependo. Minha trajetória no Bahia fala por si só. Ela foi linda, maravilhosa. Eu entrei no Bahia uma pessoa e saí outra. Fiquei com o pé atrás sobre como seria a recepção da torcida, do grupo, porque eu tinha uma história no Vitória, mas aceitei o desafio e fui. Cheguei em 2018, e em 2019 fui titular absoluto. Dali para frente foram só coisas boas, meu nome sendo consolidado, até em 2020 receber uma proposta da Turquia e dar esse passo gigantesco em minha carreira”, declarou.
A consolidação no Bahia abriu portas para Flávio dar um novo passo na carreira. Após se firmar como titular, o jogador recebeu, em 2020, uma proposta do futebol turco, que marcou sua saída do clube baiano. Hoje no Al-Faisaly FC, Flávio mantém o reconhecimento pelo período em que vestiu a camisa do Bahia, mesmo sem deixar de lado a gratidão pelo clube que o revelou para o futebol profissional.



