O técnico Rogério Ceni não escondeu a insatisfação com a atuação do Bahia na derrota por 3 a 0 para o Flamengo, neste domingo (18), na Arena Fonte Nova, pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro. Após a partida, o treinador reconheceu a qualidade do adversário, mas fez duras críticas ao desempenho tricolor, especialmente na construção das jogadas e na dificuldade para manter a posse de bola.
Na avaliação de Ceni, o Bahia cometeu erros sucessivos nos passes e teve dificuldades para sair da marcação adversária. O comandante também destacou que o Flamengo não precisou exercer uma pressão intensa para provocar os erros da equipe baiana.
“O Flamengo é um bom time, mas quando a gente recuperava a bola perdia muito rápido. Erramos muito passes por dentro, não conseguimos completar quatro passes. Tentamos sair por dentro, na primeira Juba faz a parede por dentro e dá errado, na segunda vez Marco dá no Nico, e perdemos a confiança naquele momento”, analisou.
O treinador ainda explicou que o Bahia encontrou dificuldades diante da organização defensiva do time carioca e acabou recorrendo frequentemente a lançamentos longos, sem conseguir desenvolver as jogadas pelo chão. Ceni também chamou atenção para um dado que considerou incomum em sua trajetória no comando do Tricolor: a baixa posse de bola da equipe durante a primeira etapa.
“Nunca vi um primeiro tempo com 27% de posse de bola em 200 e poucos jogos aqui. Foi nosso pior primeiro tempo em matéria de construção. Tivemos até as chances, mas todas em contra-ataque, nenhuma em velocidade. O adversário dificultou, mas nós também jogamos muito abaixo”, lamentou.
Além dos problemas na troca de passes, Rogério Ceni avaliou que o Bahia não conseguiu competir em igualdade de condições com o Flamengo. Para o treinador, a dificuldade para manter a bola fez com que o adversário controlasse o ritmo da partida e explorasse os espaços deixados pela equipe baiana.
O comandante também citou problemas na execução do que havia sido trabalhado durante os treinamentos. Segundo ele, o Tricolor não conseguiu reproduzir em campo os movimentos planejados pela comissão técnica, principalmente nas tentativas de progressão pelo lado esquerdo.
“Você pode até perder o jogo, mas acho que fizemos pouco perto do que foi determinado, treinado, uma noite bem abaixo tecnicamente dos jogadores. O que mais me incomodou foi como eles conseguiam conectar jogadas, e nós, mesmo em superioridade, não conseguíamos. Não conseguimos competir nem fisicamente”, reclamou.
Na sequência, Ceni ponderou que a impressão de inferioridade física esteve diretamente relacionada ao domínio da posse de bola pelo Flamengo. Com o adversário controlando as ações, o Bahia passou mais tempo tentando recuperar a bola do que construindo ataques.
“A parte física só se sobressaiu pelo fato deles terem 74% de posse de bola no primeiro tempo. Se você não fizer o Flamengo correr atrás de você, ele vai ficar muito confortável. A deficiência técnica fez aparecer mais a deficiência física”, explicou.
O treinador também ressaltou que o Bahia costuma apresentar um desempenho melhor na circulação de bola, inclusive em partidas contra adversários fortes, mas não conseguiu repetir esse comportamento diante do Flamengo. “Sem a bola você não cansa o time adversário. Me entristece o nível de jogo que tivemos hoje”, completou.


