O clássico entre Cruzeiro e Atlético ontem à tarde pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro da Série não teve gol, mas sobrou polêmicas, notas oficiais, esperneios e repúdio diante dos cânticos dos torcedores do galo que diziam no deboche característicos dos brasileiros
“Ô Cruzeirense, toma cuidado, o Bolsonaro vai matar veado”
Inicialmente o próprio Clube Atlético Mineiro soltou nota combatendo o que eles taxaram como preconceito. No segundo momento, foi a vez da Aliança Nacional LGBTI+ que divulgou uma nota de repúdio, agora alegando que aos gritos do torcedor do Atlético são homofóbicos e conseguiu atingir o grau máximo de discurso preconceituoso.
Até pouco tempo atrás, situações semelhantes eram tratadas como deboche, brincadeiras e não contava nem mesmo com o repúdio daqueles supostamente atingido que devolvia com a mesma moeda e no final não havia mortos ou feridos. Hoje o quadro é outro, apenas a mãe do juiz é que continua desprotegida e sem abrigo das notas oficiais.
Veja a nota da Aliança Nacional LGBTI+:
A Aliança Nacional LGBTI+ vem manifestar seu total repúdio quanto às manifestações ocorridas durante o jogo de futebol entre Cruzeiro Esporte Clube e Clube Atlético Mineiro, no dia 16 de setembro de 2018, no Estádio Independência em Belo Horizonte – MG
A torcida do Clube Atlético Mineiro, na ocasião, conseguiu atingir o grau máximo de discurso preconceituoso. Ao que se deduz, os gritos foram encorajados por eleitores de um candidato à Presidência da República. Amparada nestes fatos, a mesma ofende a torcida adversária com os
Os espaços que existem na sociedade são para o direito a convivência de todos e todas, não apenas de um determinado segmento. De fato, os campos de futebol já foram tratados como locais exclusivos da presença masculina, negando a inclusão de mulheres e demais minorias. Hoje, isto não é mais aceito, se percebe que os estádios de futebol estão se tornando um espeço de respeito e dignidade para toda a família.
O fato ocorrido, não apenas expressa o preconceito enraizado na mentalidade de grande parcela de brasileiros, mas demonstra a influência de um discurso de formadores de opinião e ditos representantes do povo.
É importante lembrar que inúmeros países espalhados pelo mundo, punem a homossexualidade com prisão e até mesmo pena de morte. Neste contexto, é inadmissível vermos ainda hoje, em um país das mais variadas expressões afetivas, que um grupo de forma direta ou indireta, defenda ou compactue com a “morte” de algum semelhante.
É de extrema importância que a temática da LGBTIfobia seja debatida amplamente para que tais fatos não ocorram mais, e nossas futuras gerações possam crescer mais conscientizadas e assim conquistarmos um futuro melhor e mais inclusivo.
Pede-se diante de tais fatos, que a diretoria do Clube Atlético Mineiro se manifeste de forma coerente e a altura da gravidade do fato ocorrido, para fins de rechaçar tais atitudes homofóbicas e promover o enfrentamento de toda e quaisquer formas de LGBTIfobia, além contribuir de forma clara para a inclusão de minorias a defesa dos direitos humanos.
Tratar tais fatos de forma genérica como foram tratados não contribui para a formação de uma nação igualitária, além de acabar por induzir os demais a pensarem que tal atitude é aprovada pela instituição.
Pedimos que a Federação Internacional de Futebol, a Confederação Brasileira de Futebol e a Federação Mineira de Futebol façam campanhas com os clubes brasileiros de futebol voltadas para a promoção do respeito à orientação sexual e à identidade de gênero. A Aliança Nacional LGBTI+ se coloca à disposição como parceira nesta empreitada.
Pedimos também às autoridades competentes que tomem as medidas cabíveis para coibir este tipo de manifestação LGBTIfóbica.
O que não podemos admitir, é que diante de um pleito eleitoral que se aproxima, qualquer um queria adotar postura que divirja com texto da Constituição Federal: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.
Como não recordar também, do texto de um dos livros respeitados por grandes líderes religiosos. Na bíblia, no livro de João, a sociedade é chamada a pensar sobre o amor ao próximo, mas o ódio a alguns. Como poderia falar que ama Deus, mas deseja a morte de alguém?
Precisamos, nos manifestar. E nós, como uma entidade nacional pluripartidária, laica, que atua em defesa e na promoção da cidadania da população LGBTI, repudia veementemente as declarações da torcida do Atlético Mineiro. A Aliança Nacional LGBTI+ divulgou uma nota de repúdio aos gritos homofóbicos ouvidos no clássico mineiro de domingo (16), quando a torcida do Atlético-MG citou o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) para provocar os torcedores do Cruzeiro.
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