O Esporte Clube Vitória demonstrou preocupação com os impactos financeiros provocados pela proibição das plataformas de apostas esportivas no Brasil. Representado pelo advogado André Carvalho Sica, o clube participou, nesta terça-feira (3), de uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), convocada pelo ministro Luiz Fux, para discutir os efeitos da Medida Provisória que determinou o fim das bets no país.
Durante sua participação, o representante rubro-negro afirmou que a decisão provocou dificuldades para o planejamento financeiro do clube, especialmente em meio à disputa do Campeonato Brasileiro da Série A.
Sica destacou que o Vitória tem enfrentado dificuldades para manter as contas equilibradas e ressaltou a importância dos contratos de patrocínio com empresas de apostas. Segundo o advogado, essas parcerias representam aproximadamente 17% do faturamento do clube.
“O momento em que uma fonte de receita é extirpada do clube, toda essa programação vai por água abaixo”, afirmou.
O advogado também questionou a necessidade e a urgência da medida provisória, além de levantar dúvidas sobre a efetividade da proibição no combate a problemas como a ludopatia e o acesso de menores de idade às plataformas.
Em outro momento, Sica citou uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou que o futebol sempre existiu antes das bets. O representante do Vitória concordou com a afirmação, mas ressaltou que a preocupação está nas dificuldades financeiras enfrentadas atualmente pelas equipes.
“Como ele vai chegar ao final deste ano sem as bets? O Vitória contava com esses valores, está disputando uma Série A a duras penas e com desfalque de caixa”, declarou.
Na avaliação do advogado, a retirada dessa receita coloca o clube em uma situação delicada, com risco de comprometer o cumprimento dos compromissos financeiros e aumentar as dificuldades na luta pela permanência na elite do futebol brasileiro.
“O clube passa a entrar em risco. O Vitória tem risco imediato de descenso e drenagem do seu caixa. As receitas desaparecem, mas os compromissos permanecem”, completou.
Além do Leão da Barra, representantes de Flamengo, Fluminense, Botafogo, Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, Ponte Preta, Guarani, Portuguesa e Grêmio também participaram da audiência. Integrantes do Governo Federal, da sociedade civil e de associações ligadas ao futebol e ao mercado de apostas também foram convidados para o debate.
A audiência faz parte da discussão sobre a validade da medida no STF. Os argumentos apresentados deverão auxiliar os ministros na análise do caso, que pode ter consequências importantes para o futebol brasileiro e para o planejamento financeiro dos clubes.


