Clubes do futebol brasileiro se posicionaram contra o fim dos contratos de patrocínio com empresas de apostas esportivas e levaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma preocupação com os impactos financeiros da medida. As equipes alegam que a restrição pode provocar perdas milionárias e defendem a retomada das parcerias com as chamadas bets.
A manifestação foi apresentada durante uma audiência pública realizada nesta terça-feira (3), no STF, sob a condução do ministro Luiz Fux. O encontro debate os efeitos da Medida Provisória (MP) 1.394/2026, que determinou o fim das apostas de quota fixa no país e o encerramento das autorizações concedidas às empresas do setor.
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O Flamengo apresentou uma das estimativas mais expressivas de impacto financeiro. Segundo o vice-presidente rubro-negro, Flávio de Araújo Willeman, a interrupção dos acordos pode representar uma redução de aproximadamente R$ 430 milhões por ano nas receitas do clube. Ele argumentou que os compromissos financeiros foram planejados considerando a legislação que estava em vigor quando os contratos foram assinados.
O dirigente também questionou a falta de segurança jurídica para as instituições esportivas e defendeu que eventuais problemas relacionados ao mercado de apostas sejam enfrentados por meio de uma regulamentação mais eficiente, em vez da proibição total da atividade.
O Fluminense também demonstrou preocupação com o cenário. O representante do clube, Matheus Reis e Montenegro, afirmou que a mudança atinge diretamente o planejamento financeiro das equipes, especialmente porque a folha salarial representa uma das principais despesas das instituições.
Na avaliação do dirigente, a possibilidade de substituir os patrocinadores do setor não é simples. Com diversos clubes procurando simultaneamente novas empresas parceiras, a concorrência aumenta e o valor comercial disponível para negociação tende a diminuir.
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Vitória também aponta perdas milionárias
Entre os clubes que questionam a medida está o Vitória. Em manifestação encaminhada anteriormente ao Supremo, o Rubro-Negro estimou prejuízos de R$ 2,5 milhões por mês com a suspensão do contrato de patrocínio com a empresa 7K. A projeção apresentada pelo clube aponta uma perda de aproximadamente R$ 55 milhões até o fim de 2027.
O Vitória participou de uma iniciativa conjunta com São Paulo, Ponte Preta, Guarani e Portuguesa. As equipes argumentaram que a interrupção dos acordos pode comprometer o pagamento de salários, direitos de imagem e outras obrigações financeiras.
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Ao todo, pelo menos 23 clubes já haviam solicitado participação no processo como interessados na discussão. As equipes defendem a preservação dos contratos firmados antes da mudança na legislação e questionam a ausência de um período adequado de transição.
A audiência pública busca reunir diferentes setores envolvidos no debate para subsidiar a análise do STF. A decisão sobre a validade da medida poderá ter consequências importantes para o mercado de apostas e para o planejamento financeiro do futebol brasileiro.


