O Esporte Clube Vitória informou que vai recorrer da suspensão de dois jogos aplicada ao zagueiro Cacá pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol (STJD). O julgamento aconteceu nesta quinta-feira (27), na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em Porto Velho, Rondônia, e teve como pauta a confusão ocorrida no Ba-Vi do último domingo (23), vencido pelo Bahia por 2 a 0.
Cacá foi denunciado por sua participação no episódio em que tentou rasgar a camisa do volante Jean Lucas, do Bahia, durante a partida realizada no Barradão. O zagueiro e o atacante Marinho não foram expulsos durante o clássico pelo árbitro Raphael Claus, do quadro da Fifa. Mesmo assim, ambos foram julgados posteriormente pelo STJD.
Durante a sessão, o advogado Matheus Saleão, responsável pela defesa dos atletas, pediu a absolvição ou, de forma alternativa, a aplicação da pena mínima prevista no artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), utilizado no processo.
“A aplicação do artigo 258 exige a comprovação de conduta antidesportiva. A movimentação não ocorreu de forma premeditada. Foi um reflexo imediato provocado pela conduta do atleta. O pedido é pela absolvição dos atletas ou, subsidiariamente, pela aplicação da pena no mínimo legal possível, considerando a ausência de dano”, argumentou.
Relator do processo, o auditor Pedro Henrique não acatou os argumentos da defesa e votou pela punição dos dois jogadores. Para ele, Cacá teve uma conduta mais grave durante a confusão.
“Entendo que os atletas Marinho e Cacá incorrem nas penas do artigo 258. Entendo que eles causaram o tumulto e incorreram em um ato antidesportivo. Pior ainda foi a conduta do atleta Cacá, que tentou rasgar a camisa adversária”, afirmou.
Na dosimetria da pena, o relator propôs dois jogos de suspensão para Cacá, considerando a gravidade da ação e a reincidência. Para Marinho, a sugestão inicial foi de um jogo de suspensão, sem conversão em advertência.
No entanto, houve divergência no julgamento. O auditor Gabriel Fonseca apresentou voto diferente, sendo acompanhado pela auditora Juliana Camões e pelo presidente da Quarta Comissão, Caio Barros. Com isso, a punição de Marinho acabou sendo convertida em advertência.
Cacá, por sua vez, manteve a suspensão de duas partidas. Diante da decisão, o Vitória irá recorrer para tentar reverter a punição aplicada ao defensor. A situação acontece em meio à disputa do clube na reta decisiva da temporada. A suspensão, caso seja mantida, terá impacto exclusivamente em partidas do Campeonato Brasileiro.

