A Copa do Nordeste pode passar por novas mudanças nos próximos anos. Após uma edição de 2026 marcada pela queda significativa no público e por críticas relacionadas ao nível técnico da competição, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) já discute, nos bastidores, alternativas para reformular o torneio. A informação foi divulgada pelo Jornal da Paraíba.
Entre as possibilidades analisadas está a utilização do Ranking Nacional de Clubes (RNC) como um dos principais critérios para definir os participantes da competição a partir de 2028. A eventual alteração reduziria o peso dos campeonatos estaduais na distribuição das vagas e poderia modificar significativamente o perfil dos clubes participantes.
Uma das propostas apresentadas pelo presidente da Federação Pernambucana de Futebol (FPF), Evandro Carvalho, prevê um modelo no qual apenas os campeões estaduais teriam vaga assegurada. As demais 11 vagas seriam preenchidas de acordo com a posição dos clubes no ranking da CBF.
O modelo, caso fosse aplicado com base nos resultados desta temporada, teria nove equipes classificadas diretamente pelos estaduais: América-RN, Bahia, Botafogo-PB, CRB, Fortaleza, IAPE, Piauí, Sergipe e Sport.
As outras 11 vagas seriam ocupadas por clubes definidos pelo RNC: ABC, Ceará, CSA, Floresta, Ferroviário, Jacuipense, Maranhão, Náutico, Sampaio Corrêa, Retrô e Vitória.
A possível adoção do ranking como critério de classificação provoca um debate importante sobre o futuro da Copa do Nordeste. Por um lado, a medida poderia garantir a presença mais frequente de equipes tradicionalmente competitivas e aumentar o nível técnico do torneio.
Por outro, o modelo diminuiria o espaço conquistado por clubes que conseguem resultados expressivos em seus campeonatos estaduais, mas ainda não possuem pontuação suficiente no ranking nacional. Na prática, equipes emergentes poderiam encontrar mais dificuldades para disputar a principal competição regional.
A discussão ganha ainda mais relevância porque a Copa do Nordeste já passou por uma reformulação em 2026. O torneio teve o número de participantes ampliado para 20 clubes, além de mudanças na composição dos grupos e na fórmula de disputa.
Outra alteração foi a ausência de equipes que disputam competições internacionais. Clubes classificados para a Libertadores ou para a Copa Sul-Americana ficaram fora do Nordestão como forma de reduzir problemas provocados pelo calendário. Na temporada de estreia do novo modelo, o Bahia foi o único clube da região diretamente impactado por esse critério.
Além das mudanças esportivas, os números de público registrados em 2026 aumentaram a preocupação em relação ao futuro da competição. A primeira fase do Nordestão deste ano registrou média de aproximadamente 2,6 mil torcedores por partida, com cerca de 2.612 pagantes por jogo. O número representa uma queda expressiva em comparação com a edição anterior, que alcançou média de 7.369 pagantes por partida.
A redução foi associada a uma série de fatores, como a ausência do Bahia, alterações no calendário, horários considerados pouco atrativos e a utilização de equipes alternativas por alguns clubes. O cenário fez crescer a avaliação de que o formato atual precisa ser revisto para recuperar o interesse do público e aumentar a competitividade da Copa do Nordeste.

